Salama (=Bom-dia) pessoal
A nossa missão de voluntariado na diocese de Lichinga está a todo o vapor. Disseram-nos e pediram-nos que viéssemos para trabalhar e é isso que estamos a fazer com todo o empenho e entusiasmo.
As “más línguas!”… que dizem que viemos gozar umas férias estão enganados. Aqui trabalha-se de” sol a sol” e só se faz um intervalo para as refeições. Imaginem que o mercado cá do sítio fica muito perto da casa episcopal onde decorre a maior parte da nossa acção de formação e há voluntários que ainda não puseram lá os pés.
O Vítor e o Ricardo já desempacotaram todos os livros que chegaram de Portugal e que agora é preciso catalogar e colocar na biblioteca “ÁfricAmiga”. Eles levam a sua tarefa até ao fim e imaginem que até descobriram naquelas caixas de livros outros objectos tais bonés…
Agora que os livros viram a luz do sol vão ser classificados e colocados nas prateleiras duns armários que hão-de aparecer não se sabe de onde. Mas, está tudo sobre controle e eles, cobertos de pó, sorriem entusiasmados ao saber que todo este seu trabalho que é monótono e repetitivo vai ser de muita utilidade para esta cidade, sobretudo a geração mais jovem de Lichinga.
A Patrícia e a Paula terminaram na 5ª feira a sua formação às educadoras de infância das escolinhas. Foram quatro dias intensivos que começavam às 8.00 horas e iam até à hora do almoço. Da parte de tarde e à noite, depois do jantar, era vê-las a preparar a sessão do dia seguinte. O arranque da manhã (6 horas) só era possível à força do maravilhoso café que existe por estas terras onde é produzido e torrado em casa. Na análise e balanço da semana estava toda a gente feliz:
- as educadoras das escolinhas que agradeceram esta ajuda e apelaram à ALVD que nunca os esquecesse e que estas acções tivessem continuidade;
- as voluntárias Paula e Patrícia que sentindo que deram tudo o que tinham e sabiam ficaram com a certeza que receberam muito mais destas educadoras simples e humildes que as presenteavam sempre com um sorriso aberto e franco e partilharam com elas o que já se fazia no seu campo de trabalho;
- a Irmã Olívia, uma das grandes impulsionadoras destas acções, que vê nestas intervenções dos voluntários a possibilidade de levar mais qualidade ao serviço que é prestado aos mais pequeninos de Lichinga. No último dia, para que o encerramento fosse perfeito a coisa não se fez por menos: além de um diploma que certificava a participação neste curso houve bolo e sumo que a Irmã Olívia providenciou. Como se seguiu a máxima de que “somos todos amigos, mas cada um come “exima = massa de milho” em sua casa…” no fim deste aperitivo houve fotos, muitos beijinhos, troca de mails e outras coisas mais…
A Joana, Gabriela e Milu continuam ansiosas pela sua partida para Mitande o que aconteceu hoje, sábado. Mas elas são mulheres de garra e não deixaram os seus créditos de voluntárias por mãos alheias. Assim, deslocavam-se para o Bairro da Cerâmica todos os dias: da parte da manhã ensinavam português aos “meninos da rua” designação que não foge à realidade pois apareceram muitas crianças e adolescentes que nunca colocam os pés nas escolas e que tem como sua “universidade” a rua; da parte de tarde organizavam jogos e outras actividades que começaram a encher o grande largo que existe em frente à casa das Irmãs Reparadoras de Fátima. Mas a grande atracção era e é sempre a Patrícia com o seu cabelo louro. Por estes lados nem sempre se tem a possibilidade de ver uma loura ao vivo e em carne e osso… Todos lhe queriam tocar dizendo-lhe que tinha um cabelo muito lindo. Consta que ela foi penteada e despenteada vezes sem conta. Loura sofre!...
Quanto às nossas duas “marrupinas” que se encontram em terras de elefantes e macacos sabemos que está tudo bem pelas notícias que não são fáceis de obter devido à falta de rede telefónica. Elefantes ainda não viram nenhum, mas já tiveram um cheirinho a safari e selva com a presença de um macaco, galinhas, cabritos e outros animais selvagens do mesmo porte…
Estão encantadas com a escolinha onde estão a dar formação às educadoras e neste sábado em parceria com a rádio local e a paróquia de Marrupa vão fazer uma acção de informação mais abrangente com a comunidade local, de maneira especial com as “mamãs” da terra. Não fosse o vento daquelas bandas, durante a noite, fazer uns ruídos estranhos para quem vive num apartamento em Lisboa poder-se-ia dizer, por palavras delas, que estavam no paraíso.
O Pe. Zé Manel vinha preparado para promover encontros de reflexão sobre a Bíblia. Aqui mudou tudo do avesso: em vez desses encontros de dinamização bíblica vai sendo pároco na futura paróquia do Imaculado Coração de Maria, situada no Bairro da Cerâmica, e organizando manhãs de reflexão com as várias comunidades religiosas femininas que se encontram já em Lichinga.
Termino por aqui porque hoje o grupo de voluntários que está hospedado na Casa das Irmãs decidiu fazer o almoço. Não sei o que vai sair, mas que nos esforçámos, esforçámos…Kwaheri (=adeus). Dos lichinguenses
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
domingo, 7 de agosto de 2011
1ª Crónica de Lichinga 2011
Alô! Aqui Lichinga!
A aventura tão esperada e preparada ao longo de meses começou no dia 28 de Julho no aeroporto de Lisboa. Um a um foram chegando os 10 voluntários deste projecto Lichinga - 2011 acompanhados por amigos e familiares. Houve abraços, risos, boa disposição e também algumas lágrimas dos mais saudosos...
Depois de uma viagem de cerca de 11 horas chegámos a Maputo onde nos esperavam os Padres Ruffini e Abel que nos acolheram e nos livraram de tantos “samaritanos” que nos queriam levar as malas a troco de euros para a sua colecção… Da parte de tarde o Pe. Lázaro ofereceu-nos uma visita rápida à capital de Moçambique não esquecendo o lindo seminário dehoniano que existe em Matola.A noite foi aproveitada por alguns para visitar conhecidos que se encontram a viver nesta linda cidade. A maioria procurou colocar o sono em dia e não fosse uma “simpática osga” a obrigar a Paula a dormir no chão num quarto emprestado à última da hora poderíamos dizer que foi uma noite calma embora curta…
No dia 30 de manhã cedo, para variar…, partimos para a tão desejada Lichinga onde nos esperava o nosso bispo D. Élio Greselin com a sua tão característica simpatia e alegria. Como não somos de perder tempo (!) logo após o almoço “despachámos” a Isabel e a Telma para Marrupa aproveitando a boleia de uma das Irmãs da comunidade que as vão acolher e onde vão ficar cerca de duas semanas a trabalhar nas escolas daquela povoação no meio do mato.
No domingo (dia 31 de Julho), por sugestão de D. Élio, o restante grupo foi até Metangula com a possibilidade de ir visitar e mergulhar no famoso Lago Niassa. Realizou-se, assim, um dos “sonhos paralelos” dos nossos nadadores (as)… Foi uma experiência única a que só faltou o “sal na água” para pensarmos que estávamos em pleno oceano Atlântico…
No dia 1 de Agosto começaram as outras equipas as suas actividades com a excepção de Mitande (Joana / Gabriela / Milu) que só poderão ir para o seu destino no dia 6 de Agosto já que as Irmãs que lá vivem se encontram aqui em Lichinga num retiro espiritual.
Os outros começaram pela manhãzinha a conhecer o terreno que vão pisar nestes próximos dias e a colocar em prática os conhecimentos adquiridos e aprofundados nos meses de formação para esta missão de voluntariado. Assim, a Patrícia e a Paula logo pelas 8 horas tiveram o seu primeiro contacto com as educadoras de várias escolinhas da cidade. A sua preocupação, como de todo o grupo, não é a de dar uma simples aula académica, mas partilhar o que sabem e disponíveis para receber o que este simpático povo tem para oferecer: cultura, experiência de vida, acolhimento e muita alegria visível nos sorrisos que nos dispensam. Pelo seu lado o Vítor e o Ricardo já fizeram a análise e delinearam as prioridades para a organização das bibliotecas “ÁfricaAmiga” e da Casa Episcopal.
Chega de tanta crónica porque é preciso descansar e amanhã é outro dia de trabalho. Aqui só se dorme até às 6 horas da manhã porque somos toda gente trabalhadora…Os lichinguensesLichinga, 1 de Agosto de 2011
A aventura tão esperada e preparada ao longo de meses começou no dia 28 de Julho no aeroporto de Lisboa. Um a um foram chegando os 10 voluntários deste projecto Lichinga - 2011 acompanhados por amigos e familiares. Houve abraços, risos, boa disposição e também algumas lágrimas dos mais saudosos...
No dia 30 de manhã cedo, para variar…, partimos para a tão desejada Lichinga onde nos esperava o nosso bispo D. Élio Greselin com a sua tão característica simpatia e alegria. Como não somos de perder tempo (!) logo após o almoço “despachámos” a Isabel e a Telma para Marrupa aproveitando a boleia de uma das Irmãs da comunidade que as vão acolher e onde vão ficar cerca de duas semanas a trabalhar nas escolas daquela povoação no meio do mato.
No domingo (dia 31 de Julho), por sugestão de D. Élio, o restante grupo foi até Metangula com a possibilidade de ir visitar e mergulhar no famoso Lago Niassa. Realizou-se, assim, um dos “sonhos paralelos” dos nossos nadadores (as)… Foi uma experiência única a que só faltou o “sal na água” para pensarmos que estávamos em pleno oceano Atlântico…
No dia 1 de Agosto começaram as outras equipas as suas actividades com a excepção de Mitande (Joana / Gabriela / Milu) que só poderão ir para o seu destino no dia 6 de Agosto já que as Irmãs que lá vivem se encontram aqui em Lichinga num retiro espiritual.
Os outros começaram pela manhãzinha a conhecer o terreno que vão pisar nestes próximos dias e a colocar em prática os conhecimentos adquiridos e aprofundados nos meses de formação para esta missão de voluntariado. Assim, a Patrícia e a Paula logo pelas 8 horas tiveram o seu primeiro contacto com as educadoras de várias escolinhas da cidade. A sua preocupação, como de todo o grupo, não é a de dar uma simples aula académica, mas partilhar o que sabem e disponíveis para receber o que este simpático povo tem para oferecer: cultura, experiência de vida, acolhimento e muita alegria visível nos sorrisos que nos dispensam. Pelo seu lado o Vítor e o Ricardo já fizeram a análise e delinearam as prioridades para a organização das bibliotecas “ÁfricaAmiga” e da Casa Episcopal.
Chega de tanta crónica porque é preciso descansar e amanhã é outro dia de trabalho. Aqui só se dorme até às 6 horas da manhã porque somos toda gente trabalhadora…Os lichinguenses
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Entrevista de Maria Santo para a Rádio Ecclesia
Há vários anos que Maria Santos guarda o brilho do testemunho de outros voluntários e hoje, com o filho de 18 anos na retaguarda a torcer pela mãe, prepara as malas para durante um mês dar formação a professores numa escola longínqua em Lichinga.
http://agencia.ecclesia.pt/radio/noticia_emissao_online.php?mediaid=2239
22-07-2011
http://agencia.ecclesia.pt/radio/noticia_emissao_online.php?mediaid=2239
22-07-2011
Partida de 10 voluntários para Lichinga
Depois de uma celebração de envio no dia 25 de Julho no Seminário de Alfragide, partiu a 28 de Julho o grupo de 10 voluntários para Lichinga com o P. José Manuel. Na comitiva seguiam ainda a Ir.Olívia coordenadora em Lichinga e o P. Leandro com destino ao Alto Molócuè.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Onde me acolheram em Lichinga
Amigos
Aqui em Lichinga fui carinhosamente recebida na Casa do Sagrado Coração de Maria das Irmãs Reparadoras de Fátima a quem agradeço na pessoa da Superiora, a Irmã Olívia.
Lichinga que deixarei na 3a.feira, rumo a Maputo mas, da qual já sinto saudades!
Estou muito GRATA a DEUS por me ter dado este PRESENTE e ponho-me nas SUAS MÃOS CHEIA DE CONFIANÇA, para continuar o caminho que ELE para mim traçou! Eu acredito que, na VIDA nada é por acaso... todas as pessoas com quem me cruzo são uma aprendizagem fantástica, quer pela via da satisfação quer pela da dor. É através da dor que se aprende a não viver de ilusões mas sim, viver confiando e aceitando o maravilhoso presente diário de Deus. Muitas vezes tenho ouvido falar do momento, do aqui e agora mas, foi em Lichinga que o entendi, que o vivênciei realmente... SIM, SINTO-ME CHEIA INTERIORMENTE - REALIZADA! Não quero jamais esquecer este estado de ALMA, para poder regressar a ele sempre que chegarem os momentos menos bons.
Por tudo isto, não vai chegar a Portugal a mesma Margarida...
Com este privilégio de experiênciar tanta, tanta coisa que me tornou numa pessoa muito mais INTEIRA. Acho que irei demorar muito tempo a digerir todas estas aprendizagens. As minhas "baterias" estão carregadas desta energia tão especial, de emoções tão ricas, que certamente me farão carregar também todos aquelas pessoas com quem habitualmente trabalho e comvivo.
Um emocionado ABRAÇO CHEIO DE LUZ E AMOR da"Titia Guida"
Lichinga que deixarei na 3a.feira, rumo a Maputo mas, da qual já sinto saudades!
Estou muito GRATA a DEUS por me ter dado este PRESENTE e ponho-me nas SUAS MÃOS CHEIA DE CONFIANÇA, para continuar o caminho que ELE para mim traçou! Eu acredito que, na VIDA nada é por acaso... todas as pessoas com quem me cruzo são uma aprendizagem fantástica, quer pela via da satisfação quer pela da dor. É através da dor que se aprende a não viver de ilusões mas sim, viver confiando e aceitando o maravilhoso presente diário de Deus. Muitas vezes tenho ouvido falar do momento, do aqui e agora mas, foi em Lichinga que o entendi, que o vivênciei realmente... SIM, SINTO-ME CHEIA INTERIORMENTE - REALIZADA! Não quero jamais esquecer este estado de ALMA, para poder regressar a ele sempre que chegarem os momentos menos bons.
Por tudo isto, não vai chegar a Portugal a mesma Margarida...
Com este privilégio de experiênciar tanta, tanta coisa que me tornou numa pessoa muito mais INTEIRA. Acho que irei demorar muito tempo a digerir todas estas aprendizagens. As minhas "baterias" estão carregadas desta energia tão especial, de emoções tão ricas, que certamente me farão carregar também todos aquelas pessoas com quem habitualmente trabalho e comvivo.
Um emocionado ABRAÇO CHEIO DE LUZ E AMOR da"Titia Guida"
Catarina Ramalheira vai estrear-se em missão em Lichinga
Entrevista à ecclesia rádio, a 20-07-2011
http://agencia.ecclesia.pt/radio/noticia_emissao_online.php?mediaid=2228
http://agencia.ecclesia.pt/radio/noticia_emissao_online.php?mediaid=2228
quinta-feira, 14 de julho de 2011
O crescer não acaba
Os primeiros de sol começavam a aquecer Maputo quando pela primeira vez pisámos terra Africana. Um misto de cansaço e ansiedade abalava-nos. Depois pela passagem pelos controladores de passageiros e mercadoria recebemos o primeiro abraço do Padre Ruffini e com a sua hospitalidade conhecemos Maputo.
Recuperamos forças para prosseguir viagem para Nampula, onde chegámos pelas 20h30. Noite escura como breu… pouco tempo depois encontrávamo-nos com os Padres Ricardo e Ciscato, com quem tivemos o prazer de ter uma agradável conversa e uma explicação breve sobre cultura e uma visita ao seu museu de objectos arqueológicos e insectos.
Com a chegada a Maputo tivemos conhecimento de uma nova realidade que se debateu com as nossas emoções. O nosso espanto aumentava cada vez que atravessávamos as ruas da capital de Moçambique. A mistura de sentimentos invadiu-nos entre o choque e o fascínio. O choque avassalou-nos de tal forma por causa da pobreza extrema que testemunhávamos. A nossa viagem parecia ter sido no tempo e não no espaço. Nas nossas mentes só passava a questão de como é possível esta realidade se manter em pleno século XXI. Mas, felizmente, o choque foi-se dissipando, sendo este substituído pelo fascínio que tinha origem no cumprimento, no sorriso e na alegria das crianças. O entusiasmo delas em ver “mucunha” (pessoa branca em moçambicano) fazia-nos sentir como seres divinos que estavam a ser idolatrados… e a nossa missão ainda não tinha começado. Em Nampula fomos recebidos com as boas vindas cantadas por umas jovens, residentes locais, que nos fizeram corar de tanta emoção. A sua boa disposição criou em nós uma certa vergonha pelo facto de o nosso mundo ocidental não possuir tanta alegria e no entanto possuir tantos bens materiais. A ironia das realidades faz-nos pensar que na mala trazíamos sonhos por realizar e solidariedade para oferecer mas após algum tempo fomos nós é que recebemos. A viagem até ao nosso destino final (Alto Molócuè) deu-nos a possibilidade de apreciar as lindas paisagens do interior de Moçambique e admirar as magníficas coisas que a Mãe Natureza nos proporciona mas que muitas vezes estamos demasiado alienados para percebermos. Chegámos de noite, com o cansaço a se apoderar de nós e por isso só no dia seguinte é que nos foi possível admirar o fantástico nascer do Sol em território africano.
O grito ao longe das crianças ao chamarmo-nos “mucunha” impulsionou-nos a dizer um tímido “olá”. O entusiasmo das crianças em quererem nos cumprimentar fez com que rapidamente fosse possível estabelecer contacto com a comunidade local. Inicialmente a sensação de incapacidade de fazer mais e melhor veio ao de cima mas com a simpatia dos mais pequenos foi uma ajuda enorme para nos fazer cumprir a nossa missão. Com o passar do tempo apercebemo-nos que há muito trabalho a fazer…tanto com eles…como com nós próprios. Esperemos, até agora ter contribuído para uma melhor comunidade…pois já temos muitas certezas de que nós já nos tornamos melhores pessoas, com a ajuda da população local.
Alto Molócuè, 14 de Julho de 2011
Recuperamos forças para prosseguir viagem para Nampula, onde chegámos pelas 20h30. Noite escura como breu… pouco tempo depois encontrávamo-nos com os Padres Ricardo e Ciscato, com quem tivemos o prazer de ter uma agradável conversa e uma explicação breve sobre cultura e uma visita ao seu museu de objectos arqueológicos e insectos.
Com a chegada a Maputo tivemos conhecimento de uma nova realidade que se debateu com as nossas emoções. O nosso espanto aumentava cada vez que atravessávamos as ruas da capital de Moçambique. A mistura de sentimentos invadiu-nos entre o choque e o fascínio. O choque avassalou-nos de tal forma por causa da pobreza extrema que testemunhávamos. A nossa viagem parecia ter sido no tempo e não no espaço. Nas nossas mentes só passava a questão de como é possível esta realidade se manter em pleno século XXI. Mas, felizmente, o choque foi-se dissipando, sendo este substituído pelo fascínio que tinha origem no cumprimento, no sorriso e na alegria das crianças. O entusiasmo delas em ver “mucunha” (pessoa branca em moçambicano) fazia-nos sentir como seres divinos que estavam a ser idolatrados… e a nossa missão ainda não tinha começado. Em Nampula fomos recebidos com as boas vindas cantadas por umas jovens, residentes locais, que nos fizeram corar de tanta emoção. A sua boa disposição criou em nós uma certa vergonha pelo facto de o nosso mundo ocidental não possuir tanta alegria e no entanto possuir tantos bens materiais. A ironia das realidades faz-nos pensar que na mala trazíamos sonhos por realizar e solidariedade para oferecer mas após algum tempo fomos nós é que recebemos. A viagem até ao nosso destino final (Alto Molócuè) deu-nos a possibilidade de apreciar as lindas paisagens do interior de Moçambique e admirar as magníficas coisas que a Mãe Natureza nos proporciona mas que muitas vezes estamos demasiado alienados para percebermos. Chegámos de noite, com o cansaço a se apoderar de nós e por isso só no dia seguinte é que nos foi possível admirar o fantástico nascer do Sol em território africano.
O grito ao longe das crianças ao chamarmo-nos “mucunha” impulsionou-nos a dizer um tímido “olá”. O entusiasmo das crianças em quererem nos cumprimentar fez com que rapidamente fosse possível estabelecer contacto com a comunidade local. Inicialmente a sensação de incapacidade de fazer mais e melhor veio ao de cima mas com a simpatia dos mais pequenos foi uma ajuda enorme para nos fazer cumprir a nossa missão. Com o passar do tempo apercebemo-nos que há muito trabalho a fazer…tanto com eles…como com nós próprios. Esperemos, até agora ter contribuído para uma melhor comunidade…pois já temos muitas certezas de que nós já nos tornamos melhores pessoas, com a ajuda da população local.
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