quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sinais da presença dehoniana em Moçambique

Falar sobre a presença dehoniana em Moçambique é recuar no tempo e ir aos meus tempos de menino e moço quando no seminário Pe. Dehon ouvia deliciado as histórias que os nossos missionários que estavam naquele país contavam na sua passagem a caminho de umas merecidas férias. Nessa altura, pensava como devia ser bela essa vida cheia de aventuras, imprevistos e muita coragem e confiança em Deus à mistura. Os anos foram passando e fui acompanhando, por vezes preocupado, mas talvez sem o entusiasmo juvenil dos primeiros tempos, a actividade dos nossos missionários que passaram por momentos difíceis nos tempos da independência de vários países africanos, mas permaneceram corajosamente firmes junto das suas comunidades cristãs.

Os anos foram passando e quando nada o fazia prever, nem estava nos meus planos mais imediatos, eis que me surgiu a oportunidade de acompanhar um grupo de jovens voluntários até à Diocese de Lichinga, situada na Província do Niassa, no Norte de Moçambique. Era a oportunidade de recordar vendo “ao vivo e a cores…” todas aquelas histórias contadas com tanto carinho nos primeiros tempos de seminário.
Foi assim que partimos para uma experiência missionária de um mês (Agosto) 11 voluntários cheios de entusiasmo e vontade de oferecer um pouco das suas vidas àquele povo simples e humilde, acolhedor e feliz, alegre e sonhador. Na nossa bagagem levámos a vontade de ser próximos e amigos, úteis e solidários vivendo com entusiasmo o seu dia-a-dia. Tínhamos consciência que no dar e receber nós íamos sair beneficiados, mas isso faz parte da recompensa que é dada a todos aqueles que amam e se entregam sem reservas aos outros…

Agora já em Portugal recordo o carinho, alegria e amizade que nos foram dispensados por todos os locais de missão por onde passámos. Isto sucedeu em todas as comunidades dehonianas que nos acolheram e em outras comunidades onde o sorriso acompanhado de um cafezinho ou chá nos davam as boas vindas… A comunidade dehoniana na Casa Pe. Dehon em Maputo faz autênticos milagres para acolher os tantos voluntários e não só que lá pedem abrigo nem que seja por uma noite. Obrigado Padres Mario, Ruffini e Abel!

Apesar do cansaço já se notar em muita gente ninguém se esquivou (sempre era o nosso primeiro dia em Maputo, capital de Moçambique…) à oferta de visitar o Escolasticado Filosófico Dehoniano em Matola. Aqui ouvimos a já conhecida odisseia do Pe. Toller no tempo da guerrilha quando foi raptado e libertado pela RENAMO. Nesta altura o sono já ia fazendo estragos no grupo, mas indo buscar forças não sei onde houve ainda coragem para desafiar o Pe. Lázaro a mostrar-nos um pouco de Maputo “by night”. Houve quem só viu com um olho, mas deu para ficar com uma ideia meio tremida e aos flashes…

À chegada a Lichinga tínhamos à nossa espera D. Elio Greselin que com a sua espontaneidade e alegria contagiante cativou logo toda a gente chamando-nos “vadios” bem-vindos… Não posso esquecer a presença discreta, serena, amiga e cordial do Irmão Giuseppe Meoni que chegando das suas férias em família, na Itália, quando já nos encontrávamos em Lichinga nunca mais nos largou interessando-se por tudo e zelando para que nada faltasse para o êxito da nossa missão.

A diocese de Lichinga para além de ser muito grande não é nada fácil de gerir e precisa de muito apoio a todos os níveis. É uma Diocese ainda muito desorganizada e que possui um clero que ainda não compreendeu ou não quer compreender o seu bispo que quer renovar mentalidades e dotar a diocese de estruturas que garantam a sua sustentação e autonomia económica sem recorrer às sempre imprevisíveis ofertas que chegam do exterior. Outro sonho é o de atrair jovens estudantes com a construção de um polo universitário na cidade. Devido à extensão territorial da diocese, D. Elio procura e convida congregações de Irmãs que queiram constituir comunidades religiosas em algumas missões que estão abandonadas há muito tempo. Para além da presença espiritual tão necessária seriam também uma garantia de sucesso para as escolinhas que acolhem crianças e lhes dão formação humana e intelectual. Já lá estão várias congregações que fazem tanto e com muita dedicação (Teresianas, Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de Fátima, Religiosas do Amor de Deus; Irmãs S. José de Cluny, Irmãs Missionárias da Consolata…) mas são poucas para tantas necessidades. Permito-me destacar o trabalho de duas Irmãs não por que façam mais do que as outras, mas porque colaborei mais com elas: a Irmã Olívia que é a “ponte de ligação” dos voluntários que partem de Portugal para Lichinga. Alguém lhe chamou a “Irmã todo o terreno” e a “Super-Irmã” pela capacidade que tem de chegar a todo o lugar sempre bem-disposta e com a solução adequada para qualquer problema e a Irmã Maria José que com a sua irreverência e alegria contagiante consegue motivar todos os que estão a sua volta. Um obrigado muito grande para todas vós pelo vosso testemunho e amizade.

Já o sabíamos à partida e, por isso, foi com a maior das naturalidades e com votos de bom trabalho que nos íamos despedindo dos subgrupos que iam sendo espalhados por várias missões da diocese: a Telma e a Isabel foram para Marrupa; a Joana, Milu e Gabriela para Mitande; a Patrícia e a Paula na primeira semana ficaram na cidade de Lichinga e depois rumaram até Massangulo; finalmente o Vítor e o Ricardo trabalharam na biblioteca do ESAM na catalogação e distribuição por várias bibliotecas das toneladas de livros que são recolhidos aqui em Portugal e enviados para lá e, na última semana, foram até Metangula dar um curso de informática. O trabalho das nossas meninas consistia em encontros de formação e partilha com as educadoras e auxiliares de educação das escolinhas confiadas à Igreja. Claro que o momento mais desejado e apetecido do dia era o contacto com aquelas crianças com uns olhos muito bonitos e um sorriso de orelha a orelha a pedirem uma foto… Houve quem tirasse 500 fotos só num dia… É obra!...

Diz-se que “cada um tem aquilo que merece…” e, por isso, tive o privilégio de visitar algumas das primeiras missões dehonianas que ficam nas Províncias de Nampula e da Zambézia. Na cidade de Nampula encontrei o Arcebispo D. Tomé (dehoniano) confiante e empreendedor com uma grande vontade de formar bem o clero da sua diocese, nem que para isso tenha de o enviar até à Europa por alguns anos. Está empenhadíssimo na criação de algumas infra estruturas que sejam respostas concretas para várias necessidades da Diocese de Nampula. Projectos e sonhos há muitos, mas será precisa a boa vontade de muitas pessoas para que eles se concretizem. Na Paróquia de S. Pedro, confiada aos dehonianos, os Padres Ciscato, Augusto e Riccardo não tem mãos a medir para acompanhar os vários centros de culto espalhados à volta da paróquia (alguns a muitos quilómetros do centro) e tantos movimentos que fervilham na sede da paróquia como a catequese (infantil, jovens e adultos), acólitos e outros movimentos que necessitam da sua assistência contínua.

A presença em Nampula da Companhia Missionária, mais conhecidas por “Mariolinas…”, devido à actividade e à genica da Mariolina, uma das consagradas, é muito importante no campo do ensino e no acompanhamento de várias jovens vocacionadas. Com a ajuda da ALVD e do Pe. Adérito foi criada e montada uma biblioteca que é já um ponto de referência para os estudantes da cidade que encontram nela o que as bibliotecas do estado não conseguem dar.

Uma das minhas curiosidades era o Alto de Molócué porque lá tinha estado durante um ano de voluntariado a minha paroquiana Vera. Testemunhei o belo trabalho que os elementos da ALVD lá foram fazendo ao longo dos últimos anos e continuam a fazer. Parabéns a todos os que contribuíram e continuam a contribuir para que esta missão possua as condições necessárias para o trabalho que lhe é pedido. Encontra-se lá neste momento o António que vai dando explicações sobre todas as matérias escolares e introduzindo os interessados no mundo da informática. Esta missão passou ainda há pouco tempo por um momento muito doloroso com o acidente que vitimou a Maria Arbona. Sabemos que a vida continua e senti que ela é recordada com muito carinho: rezam por ela pedindo que ela reze por eles junto do Pai da Vida.

Seguindo viagem chegámos à grande missão de Milevane que ao longo dos anos já foi palco de muitas cenas… Imagine-se que a casa enorme que já foi um seminário, também já foi um quartel durante a guerra civil. Actualmente prepara-se para receber os noviços da Província SCJ de Moçambique. É uma casa linda com belos jardins mas que obriga a uma manutenção constante e dispendiosa já que os tempos de guerra deixaram feridas muito grandes no edifício.

A última paragem desta visita relâmpago foi o Gurúè, terra do famoso chá e do Centro Polivalente Leão Dehon. É espantoso o belo trabalho que é desenvolvido por esta escola que para além da formação de novos profissionais realiza trabalhos de carpintaria e de arte que são requisitados de muitos lados de Moçambique. O Pe. Hilário, ajudado pelos Padres Claudino e Lázaro, está atento aos sinais dos tempos (as crises não aparecem só na Europa…) e vai orientando com prudência e sabedoria a autonomia económica da escola. Penso não cair em exagero ao afirmar que este Centro Polivalente é a maior empresa daquela região dando emprego a muita gente e, por isso, garantindo melhores condições de vida a muitas famílias. O Pe. Hilário não se cansa de agradecer à Província Portuguesa SCJ a ajuda e o apoio que sempre lhe prestou e que tornou possível que o sonho do Centro se tornasse uma realidade. Aprecia e admira muito o trabalho dos jovens voluntários mas sugere que no futuro se pense também em enviar gente mais avançada na idade: reformados ou pessoas que possam dispor do seu tempo e dedica-lo a esta causa do voluntariado. Informa que no Centro existem pequenas casas que podem ser ocupadas e que favorecem a estes possíveis voluntários uma vida mais independente da comunidade religiosa. Aqui fica o desafio: haja vontade de trabalhar que trabalho não falta…

Já em Lichinga, depois desta viagem, percebi a razão do entusiasmo e da alegria que os missionários, de passagem por Portugal, nos transmitiam quando eu era ainda uma criança no seminário. Só quem ama sem limites e se doa aos outros sem condições é capaz de construir as obras tão belas que eu tive a felicidade de ver e sentir.

Obrigado a todos os meus confrades moçambicanos e a todos(as) aqueles(as) que tiveram a ousadia e a alegria de partilhar um pouco das suas vidas comigo.

Padre José Manuel

terça-feira, 30 de agosto de 2011

MOVIMENTO DE VOLUNTARIOS ALVD A 25 E A 27 de AGOSTO

No dia 25 de Agosto, partiram para o Niassa - Cóbuè,  o grupo de Penalva do Castelo (P. José António, Lurdes e Sónia), assim como o duo de Lisboa (Catarina e Patrícia).




No dia 27 de Agosto regressaram os 10 lichinguenses com o P. José Manuel, todos sorridentes e felizes. Não acreditam? Perguntem aos dez.





E tu quando vais?

P. Adérito

terça-feira, 16 de agosto de 2011

3ª Crónica de Lichinga 2011

Otthuneya nthamwene, moshekuweliwa (= Caros amigos, boa tarde)
Aproveitando o tempo em que há electricidade e podermos usar a internet, aqui estamos nós, o já famoso grupo dos 10 lichinguenses, a partilhar com os nossos amigos o que vamos vivendo, vendo e fazendo neste cantinho do céu da província moçambicana do Niassa, plantado não à beira mar…, mas nas margens do grande lago com o mesmo nome.
Não foi notícia de 1ª página nos noticiários cá do sítio, mas bem podia acontecer que um bloco de informação tipo “Portugal em Directo” que passa na televisão portuguesa ao fim da tarde abrisse com a seguinte notícia: “Mitande nunca mais será igual...” E, depois continuaria a jornalista: com a chegada a Mitande de três portuguesas com os nomes estranhos de Joana, Gabi e Milu terminou a calma e o sossego nesta população tão conhecida pela sua pacatez. Elas não param, nem deixam parar… e com a sua alegria contagiante estão a fazer acções de formação às educadoras das escolinhas da cidade e a dinamizar toda a comunidade com o consentimento e ajuda do pároco e da comunidade de Irmãs que as acolhem.

Obedecendo ao projecto traçado em Portugal e que aqui, por vezes, é alterado e adaptado devido a tantos factores que só quem vem a África percebe partiram na passada 2ª feira para Massangula a Patrícia e a Paula. Ficaram por lá toda a semana e na ausência das Irmãs que as acolheram – estas foram encontradas em Lichinga a tratar de assuntos burocráticos - foram as nossas duas voluntárias que tomaram conta da residência: dormiam iluminadas por velas ou pela luz das pilhas que levaram consigo e tomavam as refeições na casa do padre da missão. As refeições têm muito que se lhe diga, pois há alimentos, costumes e sabores a que não estamos habituados. Assim, quando em Massangulo foi servido um determinado peixe que pela aparência não convenceu as nossas duas missionárias a Patrícia logo teve arte e engenho de confeccionar na altura um novo menu: esparguete misturado com alface !!!!). Isso mesmo que estão a pensar: estava uma delícia e o peixe ficou para quem por lá passasse mais tarde…
Quanto à escolinha e missão católica, pelas suas informações, há muitas necessidades. O lar que acolhe 40 adolescentes e jovens está com o tecto em risco de ruir. Precisa-se de quem possa ajudar a custear as obras de restauração já que o Estado não dá qualquer ajuda económica para estas instituições fundadas e alimentadas pela Igreja e pela boa vontade de tantos missionários e missionárias que procuram ir ao encontro desta parcela do povo moçambicano esquecido e ignorado por quem de direito.



D. Élio, bispo da diocese e também dehoniano, instituiu a bonita Igreja de Massangulo, construída pelos missionários da Consolata, como Santuário Mariano da Diocese. É uma Igreja muito bonita rodeada de um complexo de construções onde já funcionou uma carpintaria, uma escola, uma universidade e tantas outras valências.
Na mesma 2ª feira logo de madrugada – aqui o dia começa cedo – partiram para Marrupa o Pe. Zé Manel, o Ricardo e o Vítor conduzidos pela incansável Irmã Olívia. A missão era ir buscar a Telma e a Isabel. Foi um passeio espectacular pelo norte de Moçambique. O desejo era ver algum elefante, hipopótamo ou crocodilo, mas foram todos de férias e só conseguimos ver algumas famílias de macacos que faziam as suas macaquices ou atravessavam a estrada a correr. Não eram nada fotogénicos, pois nem davam tempo para podermos apontar as máquinas fotográficas…
A chegada a Marrupa foi uma surpresa muito agradável. Cidade pequena, mas muito limpa e organizada. A escolinha onde as nossas voluntárias trabalharam é “bué de fixe” e as crianças e as monitoras foram de tal simpatia que nos acolheram cantando as boas vindas. Houve quem ficasse sem palavras perante tanta sensibilidade e delicadeza.
A comunidade das Irmãs da Consolata, na hospitalidade que caracteriza os missionários, partilharam connosco o seu almoço e disseram-nos maravilhas do trabalho realizado pelas nossas Isabel e Telma. Estas estavam completamente enraizadas e até já tinham metido conversa com uns espanhóis que também por ali andavam. A Isabel continua a ser a nossa agente de “relações públicas”. Seguindo o ditado “em Roma sê romano” a Telma pô-lo em prática e pensou: em Moçambique sê moçambicana e assim já andava toda vaidosa de capolana. Outros objectos característicos e muito carinho foram-lhes presenteados numa festa de despedida que as comoveu e que as deixou na hora da partida com a vontade de lá voltar. A comunidade das Irmãs, assim como o pároco agradeceram muito e esperam que lá se volte o mais depressa possível.
A sua intervenção não se desenvolveu apenas na “Escolinha José Allamano”, mas também à comunidade em geral – pais, encarregados de educação e parceiros locais como a Rádio de Marrupa.
Soubemos também que houve um pormenor muito interessante nas noites desta estadia em Marrupa. Por volta das 22.00 horas a Telma e a Isabel eram visitadas por um barulho estranho. “Corajosas!?…” como são não se queriam assustar uma à outra: assim a Isabel “sofria em silêncio…” pensando que a Telma dormia e não a acordava para que esta não ficasse também com medo e vice-versa… Pelas suas cabeças passaram muitas leituras de tal acontecimento: Um rato? Um morcego? O vento? Um estranho? Alguém para as acalmar disse-lhes que talvez fossem “almas do outro mundo”…


À chegada a Lichinga ficaram hospedadas na casa episcopal onde ajudarão na catalogação dos livros para as bibliotecas e depois irão para a “Escolinha do SORRISO”.
O Ricardo e o Vítor continuam mergulhados nos livros que é preciso separar, catalogar e distribuir por kits que depois serão distribuídos pelas bibliotecas das escolinhas, paróquias e ESAM. Suspiraram de alegria quando souberam que iam receber a ajuda da Telma e da Isabel que durante o resto desta semana e antes de começarem um novo projecto na escolinha SORRISO. Verdade se diga que as montanhas de livros que ocupavam a sala de reuniões da casa episcopal foi desaparecendo paulatinamente para grande consolo de D. Élio que por aqui ficou esta semana e teve de improvisar outra sala para receber quem o procurava. Na próxima semana, os dois vão dar formação de informática para Metangula. O Ricardo quer ir trabalhar com os “meninos”, mas a altura chegará lá mais para a frente…
Como podem ler continuamos alegres, bem-dispostos, já sabemos umas palavras de macua, já comemos de tudo um pouco… e constatamos que o tempo está a passar depressa de mais.



Ekumi ya athu othene (= Saúde para todos). Os lichinguenses
Lichinga, 15 de Agosto de 2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

2ª Crónica de Lichinga 2011

Salama (=Bom-dia) pessoal


A nossa missão de voluntariado na diocese de Lichinga está a todo o vapor. Disseram-nos e pediram-nos que viéssemos para trabalhar e é isso que estamos a fazer com todo o empenho e entusiasmo.

As “más línguas!”… que dizem que viemos gozar umas férias estão enganados. Aqui trabalha-se de” sol a sol” e só se faz um intervalo para as refeições. Imaginem que o mercado cá do sítio fica muito perto da casa episcopal onde decorre a maior parte da nossa acção de formação e há voluntários que ainda não puseram lá os pés.



O Vítor e o Ricardo já desempacotaram todos os livros que chegaram de Portugal e que agora é preciso catalogar e colocar na biblioteca “ÁfricAmiga”. Eles levam a sua tarefa até ao fim e imaginem que até descobriram naquelas caixas de livros outros objectos tais bonés…

Agora que os livros viram a luz do sol vão ser classificados e colocados nas prateleiras duns armários que hão-de aparecer não se sabe de onde. Mas, está tudo sobre controle e eles, cobertos de pó, sorriem entusiasmados ao saber que todo este seu trabalho que é monótono e repetitivo vai ser de muita utilidade para esta cidade, sobretudo a geração mais jovem de Lichinga.

A Patrícia e a Paula terminaram na 5ª feira a sua formação às educadoras de infância das escolinhas. Foram quatro dias intensivos que começavam às 8.00 horas e iam até à hora do almoço. Da parte de tarde e à noite, depois do jantar, era vê-las a preparar a sessão do dia seguinte. O arranque da manhã (6 horas) só era possível à força do maravilhoso café que existe por estas terras onde é produzido e torrado em casa. Na análise e balanço da semana estava toda a gente feliz:



- as educadoras das escolinhas que agradeceram esta ajuda e apelaram à ALVD que nunca os esquecesse e que estas acções tivessem continuidade;

- as voluntárias Paula e Patrícia que sentindo que deram tudo o que tinham e sabiam ficaram com a certeza que receberam muito mais destas educadoras simples e humildes que as presenteavam sempre com um sorriso aberto e franco e partilharam com elas o que já se fazia no seu campo de trabalho;

- a Irmã Olívia, uma das grandes impulsionadoras destas acções, que vê nestas intervenções dos voluntários a possibilidade de levar mais qualidade ao serviço que é prestado aos mais pequeninos de Lichinga. No último dia, para que o encerramento fosse perfeito a coisa não se fez por menos: além de um diploma que certificava a participação neste curso houve bolo e sumo que a Irmã Olívia providenciou. Como se seguiu a máxima de que “somos todos amigos, mas cada um come “exima = massa de milho” em sua casa…” no fim deste aperitivo houve fotos, muitos beijinhos, troca de mails e outras coisas mais…



A Joana, Gabriela e Milu continuam ansiosas pela sua partida para Mitande o que aconteceu hoje, sábado. Mas elas são mulheres de garra e não deixaram os seus créditos de voluntárias por mãos alheias. Assim, deslocavam-se para o Bairro da Cerâmica todos os dias: da parte da manhã ensinavam português aos “meninos da rua” designação que não foge à realidade pois apareceram muitas crianças e adolescentes que nunca colocam os pés nas escolas e que tem como sua “universidade” a rua; da parte de tarde organizavam jogos e outras actividades que começaram a encher o grande largo que existe em frente à casa das Irmãs Reparadoras de Fátima. Mas a grande atracção era e é sempre a Patrícia com o seu cabelo louro. Por estes lados nem sempre se tem a possibilidade de ver uma loura ao vivo e em carne e osso… Todos lhe queriam tocar dizendo-lhe que tinha um cabelo muito lindo. Consta que ela foi penteada e despenteada vezes sem conta. Loura sofre!...




Quanto às nossas duas “marrupinas” que se encontram em terras de elefantes e macacos sabemos que está tudo bem pelas notícias que não são fáceis de obter devido à falta de rede telefónica. Elefantes ainda não viram nenhum, mas já tiveram um cheirinho a safari e selva com a presença de um macaco, galinhas, cabritos e outros animais selvagens do mesmo porte…

Estão encantadas com a escolinha onde estão a dar formação às educadoras e neste sábado em parceria com a rádio local e a paróquia de Marrupa vão fazer uma acção de informação mais abrangente com a comunidade local, de maneira especial com as “mamãs” da terra. Não fosse o vento daquelas bandas, durante a noite, fazer uns ruídos estranhos para quem vive num apartamento em Lisboa poder-se-ia dizer, por palavras delas, que estavam no paraíso.

O Pe. Zé Manel vinha preparado para promover encontros de reflexão sobre a Bíblia. Aqui mudou tudo do avesso: em vez desses encontros de dinamização bíblica vai sendo pároco na futura paróquia do Imaculado Coração de Maria, situada no Bairro da Cerâmica, e organizando manhãs de reflexão com as várias comunidades religiosas femininas que se encontram já em Lichinga.

Termino por aqui porque hoje o grupo de voluntários que está hospedado na Casa das Irmãs decidiu fazer o almoço. Não sei o que vai sair, mas que nos esforçámos, esforçámos…Kwaheri (=adeus). Dos lichinguenses

domingo, 7 de agosto de 2011

1ª Crónica de Lichinga 2011

Alô! Aqui Lichinga!
A aventura tão esperada e preparada ao longo de meses começou no dia 28 de Julho no aeroporto de Lisboa. Um a um foram chegando os 10 voluntários deste projecto Lichinga - 2011 acompanhados por amigos e familiares. Houve abraços, risos, boa disposição e também algumas lágrimas dos mais saudosos...
Depois de uma viagem de cerca de 11 horas chegámos a Maputo onde nos esperavam os Padres Ruffini e Abel que nos acolheram e nos livraram de tantos “samaritanos” que nos queriam levar as malas a troco de euros para a sua colecção… Da parte de tarde o Pe. Lázaro ofereceu-nos uma visita rápida à capital de Moçambique não esquecendo o lindo seminário dehoniano que existe em Matola.A noite foi aproveitada por alguns para visitar conhecidos que se encontram a viver nesta linda cidade. A maioria procurou colocar o sono em dia e não fosse uma “simpática osga” a obrigar a Paula a dormir no chão num quarto emprestado à última da hora poderíamos dizer que foi uma noite calma embora curta…
No dia 30 de manhã cedo, para variar…, partimos para a tão desejada Lichinga onde nos esperava o nosso bispo D. Élio Greselin com a sua tão característica simpatia e alegria. Como não somos de perder tempo (!) logo após o almoço “despachámos” a Isabel e a Telma para Marrupa aproveitando a boleia de uma das Irmãs da comunidade que as vão acolher e onde vão ficar cerca de duas semanas a trabalhar nas escolas daquela povoação no meio do mato.

No domingo (dia 31 de Julho), por sugestão de D. Élio, o restante grupo foi até Metangula com a possibilidade de ir visitar e mergulhar no famoso Lago Niassa. Realizou-se, assim, um dos “sonhos paralelos” dos nossos nadadores (as)… Foi uma experiência única a que só faltou o “sal na água” para pensarmos que estávamos em pleno oceano Atlântico…


No dia 1 de Agosto começaram as outras equipas as suas actividades com a excepção de Mitande (Joana / Gabriela / Milu) que só poderão ir para o seu destino no dia 6 de Agosto já que as Irmãs que lá vivem se encontram aqui em Lichinga num retiro espiritual.


Os outros começaram pela manhãzinha a conhecer o terreno que vão pisar nestes próximos dias e a colocar em prática os conhecimentos adquiridos e aprofundados nos meses de formação para esta missão de voluntariado. Assim, a Patrícia e a Paula logo pelas 8 horas tiveram o seu primeiro contacto com as educadoras de várias escolinhas da cidade. A sua preocupação, como de todo o grupo, não é a de dar uma simples aula académica, mas partilhar o que sabem e disponíveis para receber o que este simpático povo tem para oferecer: cultura, experiência de vida, acolhimento e muita alegria visível nos sorrisos que nos dispensam. Pelo seu lado o Vítor e o Ricardo já fizeram a análise e delinearam as prioridades para a organização das bibliotecas “ÁfricaAmiga” e da Casa Episcopal.
Chega de tanta crónica porque é preciso descansar e amanhã é outro dia de trabalho. Aqui só se dorme até às 6 horas da manhã porque somos toda gente trabalhadora…Os lichinguenses
Lichinga, 1 de Agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Entrevista de Maria Santo para a Rádio Ecclesia‏

Há vários anos que Maria Santos guarda o brilho do testemunho de outros voluntários e hoje, com o filho de 18 anos na retaguarda a torcer pela mãe, prepara as malas para durante um mês dar formação a professores numa escola longínqua em Lichinga.

http://agencia.ecclesia.pt/radio/noticia_emissao_online.php?mediaid=2239

22-07-2011

Partida de 10 voluntários para Lichinga

Depois de uma celebração de envio no dia 25 de Julho no Seminário de Alfragide, partiu a 28 de Julho o grupo de 10 voluntários para Lichinga com o P. José Manuel. Na comitiva seguiam ainda a Ir.Olívia coordenadora em Lichinga e o P. Leandro com destino ao Alto Molócuè.