segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Cuamba a Nampula… de comboio

Toda a gente diz que andar de comboio de Nampula a Cuamba que é um espectáculo. A mim parece-me que andar de comboio de Cuamba a Nampula é que é um espectáculo.

Para começar, vais comprar o bilhete na véspera, mas as bilheteiras estão abertas só na hora em que chega ou parte o comboio. Depois, tens carruagem de segunda e terceira. Não há carruagem de primeira. Na terceira viaja tudo: pessoas, galinhas, cabritos… tudo tem lugar.

Já a segunda custa 400 meticais. Já é muito dinheiro para cá. São carruagens com compartimentos de 6 lugares. Ficam três pessoas frente a outras três, a não ser que alguém vá lá para cima, onde estão as malas e vá a dormir o tempo todo como aconteceu. Afinal são 12 horas de comboio. Sai às 5.30h da manhã de Cuamba e chega às 17.30h da tarde. Segundo algumas versões, não muito credíveis, há motoristas que aceleram o comboio como o chamado russo e chega mais cedo a Nampula. Segundo outros, há maquinistas que param, vão almoçar com a namorada e só depois retomam a marcha.

Assim, em vez de chegarem às 17.30h chegam às 23h. Apesar de eu não ter visto muitas lupas por aí, há gente que acrescenta um conto ao ponto.

Não é que o comboio partiu a tempo e horas? A primeira grande paragem foi em Mutuali. Aí dezenas de pessoas aproximam-se com cestas de mangas à cabeça e nós da janela, vemos, apreciamos, escolhemos as que não estão verdes ou estragadas.


 
Como eu não percebia nada disto aqui, pedi a uma mulher para me escolher dois sacos grandes de mangas que custavam 20 meticais para eu trazer para a comunidade, onde me encontro com o P. Elias e o P. Ricardo, já que o P. Augusto foi para Maputo acabar a sua tese de filosofia.


Eu pensava que lhe estava a dar uma nota de 20 meticais. Afinal dei-lhe uma de 50 meticais. Então disse para mais à frente comprar bananas para eu trazer. Comprou-me em Malema umas bananas deslavadas e murchas…eu perguntei…afinal estas bananas custam trinta meticais? Não. Sobrou dez meticais. Eu disse para comprar algo para os filhos que iam com ela.

Mas cada vez que o maquinista via alguém com uma gamela de mangas, tomates, cebola ou alho à cabeça, parava o comboio. Fez-me lembrar o autocarro que parava em todo o sítio para carregar e levar passageiros quando eu era pequeno. Nessa altura levava mais de uma hora para fazer 15 kms. Agora estamos a falar de Cuamba a Nampula que são 400 kms.

E assim o comboio ia andando ao sabor do maquinista e do mercado que estava junto à linha. A paisagem é verde, bonita, mas não exageremos…É todo o movimento das pessoas…
Ia uma mulher bastante forte com uma criança que dizia ser sua filha. Para mim deve ser a avó, mas armou-se em esperta a dizer que era a mãe da criança de 5 anos. Estava sempre a dar comida à criança…
E chegou a hora do almoço – há uma carruagem restaurante – todos pediram shima, batata frita e caril. Eu puxei do meu saquinho e comi a sande de ovo que me deram em Cuamba e bebi da água que eu trouxe numa pequena garrafa.

Ficaram todos a olhar para mim como que a dizer: branco sofre…
Quando já estávamos a chegar, esta mulher pede-me o meu telemóvel e começou a mexer. Eu perguntei o que queria ela do meu telemóvel. Respondeu-me que queria ver um número. Lá mexeu no dela. Lá mexeu no meu. E eu parvo a olhar para esta esperta como um rato.

Fiquei desconfiado. Quando cheguei a Nampula, perguntei, porque é que a mulher queria mexer no meu telemóvel. Responderam que no Mcell pode transferir-se dinheiro de um para outro até 100 meticais. Nunca percebi se ela me tirou dinheiro ou não…

Chegados a Nampula, era preciso ter cuidado com as malas e as mangas, porque ladrão é mato e sabe roubar, é profissional. Assustaram-me de tal maneira que quando eu saia do comboio não queria ninguém por perto.

E cheguei a casa com os meus pertences e os dois sacos de mangas…
Adérito Gomes Barbosa

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Cuamba, 21 a 27 de Novembro de 2011

Cuamba! Antiga Nova Freixo! A quatro centenas de quilómetros de Nampula, assim como de Lichinga. Dizem que até ao Gurúè são apenas duas horas de carro.

Mal cheguei a Cuamba instalaram-me na casa azul. Será que tem luz? Será que tem água? Perguntar se tem internet é como perguntar numa pensão em Portugal se tem piscina de água quente. Portanto, não perguntei. Porque seria uma pergunta sem contexto.

Ia almoçar e jantar à paróquia S. Miguel que dista daqui uns 15 minutos a pé.
Logo no primeiro dia, lá ia eu com a minha saquita às costas, onde levo sempre uma máquina fotográfica e um caderno de apontamentos, e uma criança mesmo pequena atira: olá branco. Olhei para ela. Deu-me vontade de dizer olá pretinho, mas calei-me.
No entanto, os voluntários dehonianos que estiveram cá em 2010 a trabalhar em bibliotecas falavam muito no P. Leonel e no P. Rogélio. Eu nunca os tinha visto. Apenas algumas fotos.
Chegava eu de avião e estava no aeroporto de Nampula à espera da mala. Vejo um indivíduo cuja cara não me era estranha. Você chama-se Leonel? Sim. Ah É o padre Leonel. Sim. Sou. Assim fiquei a conhecer um dos padres mais falados pelos voluntários dehonianos.


Estava eu já a pensar vir para Cuamba de comboio, mas eis que a Ir Marli organizadora do congresso que eu vou intervir, a dizer que o P. Leonel vem para Cuamba e dá-me boleia. Óptimo. Assim foi. Segunda-feira dia 21 de Novembro às 5 horas da manhã em ponto, arrancamos de Nampula para chegarmos aqui a Cuamba pelas 12 horas.

Paramos apenas uma vez, porque um polícia pôs-se no meio da estrada, obrigando-nos a parar. Queria boleia para o posto de trabalho dele. Lá levamos o homem uns bons 15 quilómetros no meio de buracos e pedras.

O P. Rogélio? Estava eu a escrever no meu caderno estas notas sentado numas cadeiras mesmo fora do refeitório da paróquia e eis que entra um padre: chamo-me P. Rogélio e estou agora em Mecanhelas. E lá falou do Eduardo, da Maria, do Paulo, da Natália, do Rogério e do fotógrafo de Arouca. É que veio para uma reunião dos padres da Consolata aqui no norte de Moçambique, onde estava também o P. Frizzi que escreve muito sobre os macuas. É um tipo Elias Ciscato cá do Niassa.

Também estava ali sentado, porque uma antiga leiga para o desenvolvimento, disse que queria falar comigo às 17 horas. Esperei. Esperei. Não apareceu…Pois…

No dia a seguir, uma brasileira, Raimundinha, leiga consagrada, mulher de chás de plantas medicinais, convidou-me a ir a Mitúcuè, antiga missão da Consolata, que tem hoje à sua volta 66 comunidades que funciona como segunda paróquia. Ali a Raimundinha apresentou-me uma árvore que se chama Índia e que tem efeitos medicinais para a malária, parasitas intestinais, pele e anticonceptivos.

Bem, a paróquia aqui em Cuamba chama-se S. Miguel Arcanjo e tem à sua volta 96 comunidades cristãs.
Aqui Cuamba está em tempo de eleições. O administrador demitiu-se e então há um candidato da Frelimo (homem) e um candidato do MDM (mulher). São bandeiras, carros da Frelimo a passar, já que ao que me parece o único carro do MDM que anda a fazer propaganda é o carro do pai da candidata já que o resto é à base de bicicletas.

Ainda hoje, estávamos para ir almoçar e aparece a ministra do ambiente de Moçambique para falar com o pároco e pedir-lhe para que peçam ao povo para não haver violência durante a campanha.
Pois no primeiro dia, foram vários feridos para o hospital….
Para impressionar o povo estão a substituir os postes de electricidade da cidade. Tiram os de cimento que estão bons e colocam uns de madeira que daqui a algum tempo caem de podres…

E os caminhos cheios de pó, bandeiras a voar no meio do pó, cá estamos nós nesta terra, a ouvir de vez em quando o comboio a apitar, ou porque está a fazer manobras, ou porque está a experimentar o apito, ou a sair para Cuamba ou para Lichinga (de mercadorias e uma vez por mês).

E agora vou dormir ao som do apito do comboio, porque amanhã então na Faculdade de Agricultura de Cuamba começo as minhas conferências sobre o papel da educação no desenvolvimento da sociedade para professores do secundário e da universidade.

Assim, foi todo o dia de hoje na Universidade a discursar e a dialogar sobre a educação. O problema foi convencer um professor de que a mentira não é um valor nem se deve praticar. Dizia ele: se estou preso, peço ao guarda para ir à casa de banho, depois fujo. Esta mentira para sair da cadeia é correcta diz ele. E eu perguntei: e você é professor? Pois sou, diz ele. E eu respondi: pois.

Fiquei mal impressionado com o que me disseram: que os professores em Cuamba estão sempre Mal apresentados e bebem de mais. Espero que alguma coisa tinha ficado hoje depois de falarmos de educação, desenvolvimento, sociedade, escola contemporânea.
Amanhã há mais…
Do Seminário e da viagem de comboio Cuamba Nampula falarei depois. É um espectáculo.
Cuamba, a capital do algodão.
Cuamba, 27 de Novembro de 2011
Adérito Barbosa

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

ALVD NO COBUÉ: 30 de Agosto a 11 de Setembro

No dia 30 de Agosto, terça-feira, logo de manhã cedo, a irmã Olívia e os três voluntários de Viseu (padre José António, Sónia e Ju) foram buscar-nos a casa, para iniciarmos a nossa viagem para o Cobué. Passámos por várias aldeias, sendo que as casas encontravam-se à beira da estrada. Vimos várias mesquitas e vários muçulmanos nas ruas, pois era o último dia do Ramadão.

Depois de pararmos em Metangula para almoçar, continuámos a nossa viagem: passámos por mais aldeias, mais embondeiros, muitas “torres de formigas” e muitas paisagens lindíssimas.

Chegámos ao Cobué, eram quase cinco da tarde, o que significa que o sol estava quase a pôr-se. Então, apenas houve tempo para nos instalarmos no sítio onde iríamos ficar a dormir nos 13 dias que se seguiram e de ir tomar banho no Lago Niassa.

Depois do jantar, fomos ver as estrelas lá para fora (o céu estava muito estrelado), enquanto rezávamos o terço. Acabámos por nos deitar por volta das 21h.

No dia seguinte, tivemos missa logo às 8h. As pessoas na igreja sentam-se homens de um lado e mulheres do outro.

Depois da missa, fomos lavar a loiça ao lago e vieram três miúdos atrás de nós. À medida que íamos descendo a rua em direcção ao lago, iam juntando-se mais crianças; ou seja, chegámos ao lago com mais de vinte pessoas. Estive a tirar-lhes fotografias (eles adoram ser fotografados e depois ver logo a fotografia na máquina) e ensinei-lhes um jogo. Quase ninguém sabia falar português (ali na zona falam um dialecto chamado nianja), então só as crianças mais velhas é que conseguiam perceber mais ou menos aquilo que eu dizia.

Quando regressávamos a casa, passámos por umas casas e ouvia alguém chamar pelo meu nome.
Olhei para trás e era uma rapariga, talvez da minha idade, que nos convidou para ir comer “shima” (é uma papa feita com farinha e água, que parece puré, mas é mais dura e insonsa). Entrámos em casa dela, provámos a “shima”, mas não pudemos ficar muito tempo, porque tínhamos de ir almoçar com o grupo.

Depois de almoço estivemos apenas a conhecer o Cobué e as praias. Numa das praias, estavam crianças a lavar a loiça, que nos vinham pedir para lhes tirarmos fotografias, para eles poderem ver logo a seguir.

Na manhã do dia 1 de Setembro, estivemos a dar uma pequena aula de português, ao ar livre, às crianças, a pedido da irmã Olívia. Começaram por ser apenas 20 miúdos, mas quando dei por ela eram já cerca de 40. Como a maioria não percebia português, a única coisa que fizemos, eu e a Patrícia, foi dizer os nossos nomes, perguntar os deles e escrever em folhas frases, como “Como te chamas?”, “Eu chamo-me Catarina” e “Quantos anos tens?”.

Depois desta pequena aula de português, fomos até ao lago e algumas crianças vieram também e brincaram connosco na água. Fomos deitar-nos um pouco na areia e eles vieram deitar-se ao nosso lado. Ao início mantinham uma certa distância, mas depois alguns deles acabavam por vir para cima das nossas toalhas. Como eles começaram a meter-se connosco, nós também nos metemos com eles, então eu ensinei-os a fazer um coração com as mãos. Eles riam-se imenso e imitavam o que eu tinha feito; alguns começaram a desenhar corações na areia. Eu levantei-me e fui para a beira do lago desenhar coisas simples, como corações e flores, na areia molhada. Depois eles começaram a pedir-me para escrever os nomes deles na areia. Relembro que a maioria não sabe falar português, portanto comunicar com eles é um pouco complicado. Mas, para estas crianças, sorrir para eles, dar-lhes as mãos ou fazer-lhes cócegas é o suficiente; não são precisas palavras, basta dar-lhes um bocadinho de carinho.

Depois de almoço, fomos a mais uma missa, celebrada pelo padre José António.
De seguida fomos para uma zona da aldeia mais longe do sítio de onde estávamos, para visitar o marido da mamã chefe (a mamã das mamãs, a mais velha das mamãs), chamado Leonardo, que tinha sido amputado há pouco tempo e, por isso, não se podia deslocar para ir à missa.
As crianças vieram connosco. Eram cerca de 40 e todos queriam dar-nos as mãos.
Quando saímos de casa do senhor, fomos até ao lago com as crianças, onde lhes ensinei o “aram sam sam”. Tentei que eles ficassem todos juntos na praia e continuassem a fazer o “aram sam sam”, porque íamos para casa, mas era impossível: eles andavam sempre atrás de nós, a agarrar-nos as mãos e os braços. Sempre que púnhamos um pé fora de casa, vinham logo os miúdos atrás de nós para nos dar as mãos e passear connosco.

No dia seguinte, dia 2 de Setembro, uma sexta-feira, enquanto uns foram comprar pão para o pequeno-almoço (havia apenas uma padeira no Cobué, que fazia uns pães muito bons), eu fiquei em casa. Entretanto, apareceram umas crianças com cadernos, porque queriam aprender mais português. Como nessa manhã íamos celebrar missa a outra aldeia, chamada Mataca, não tinha tempo para estar com eles e ensinar-lhes português, então dei-lhes uns lápis e umas canetas (fornecidas pelo padre José António) e eles estiveram a fazer desenhos. Ao distribuir as canetas, disse-lhes que era apenas uma para cada um e eles respeitaram isso, de tal forma, que houve um que me tentou enganar e eu dei-lhe uma segunda caneta, e os outros foram logo todos tirar-lhe a outra caneta do bolso para me devolver, porque era só uma para cada um. Mostraram-me as suas obras de arte, depois do pequeno-almoço, e a maior parte, principalmente as meninas, tinham desenhado uma árvore que, em vez de folhas, tinha corações, e eu gostei muito dos desenhos.

Seguimos para a Mataca e, depois da missa, fomos visitar a aldeia. A senhora Maria (a única mulher que foi à celebração) convidou-nos para almoçar na casa dela. Nós aceitámos e, enquanto o almoço não estava pronto, fomos até à praia da Mataca.

Aqui, quando alguém convida outras pessoas para comer em sua casa, primeiro comem as visitas e só depois é que comem os habitantes da casa. Então sentámo-nos a comer.
Na manhã de Sábado, dia 3 de Setembro, fomos para a praia do lago, logo depois do pequeno-almoço. As crianças vieram connosco e estivemos todos a brincar: comecei por lhes atirar com água para cima, na brincadeira, e depois vieram todos ao mesmo tempo atirar-me com água. Depois fingia que era um crocodilo e ia atrás deles, fazendo-lhes cócegas. Também estiveram a experimentar champô e gel de banho. Adoraram e estavam sempre a pedir-nos que lhes déssemos gel de banho para se lavarem, como eles nos viam a fazer.
Nesse dia aprendemos a lavar a loiça com areia, que é como eles lavam lá. A verdade é que a loiça fica muito mais limpa; as panelas ficam completamente sem a parte queimada. Quem nos ajudou a lavar a loiça e nos ensinou como se fazia foi uma rapariga chamada Glória. Algumas crianças também nos vieram ajudar e depois vieram connosco até ao poço, para passarmos a loiça por água.
Voltámos para nossa “casa” e eu trouxe o alguidar da loiça lavada na cabeça, como elas fazem cá, e segurava nele com uma mão, enquanto a outra mão estava dada à Mel, a menina que vinha sempre dar-me a mão.

Ao final da tarde, veio um rapaz ter comigo e deu-me um desenho, dizendo que era o meu retrato. Eu adorei e emocionei-me, então dei-lhe um abraço, como forma de agradecimento; eles aqui não estão habituados a dar abraços, então o rapaz ficou meio embaraçado, sem saber muito bem o que fazer.
No dia seguinte, depois do almoço, a Joyce (uma rapariga do Cobué) esteve a fazer-nos uma visita guiada, a mim e à Patrícia: estivemos na escola secundária, na escola primária, no posto da polícia, na maternidade, no posto de saúde, no mercado e, por fim, na casa do administrador, onde fomos muito bem recebidas pela sua mulher, que nos mostrou o interior da casa.

Na segunda-feira, dia 5 de Setembro, começaram as obras da igreja do Cobué. Nesse dia foi a primeira vez que experimentámos a papaia de cá, que é muito boa.
No dia seguinte, fomos até Likoma, uma ilha que pertence ao Malawi. Dirigimo-nos para a praia, para apanhar o “chapa” (marítimo). Chegámos ao nosso destino e fomos visitar a Catedral Anglicana de S. Pedro. Passámos, ainda, pelo hospital, o cemitério e pelo centro da cidade.

Chegámos ao Cobué e, depois do almoço, estivemos a cantar a “árvore da montanha” com os miúdos, que iam sempre para a porta da nossa “casa”ter connosco. E, quando não saíamos de casa, eles conseguiam ver-nos pela janela e chamavam os nossos nomes.

Na quarta-feira, saímos de manhã, para ir visitar o posto de saúde. Cruzámo-nos com a Joyce, que veio connosco. Aproveitámos para ver a maternidade; estivemos na sala onde elas costumam ficar internadas, depois deterem os bebés.

Passámos pelo padre Leonardo e demos-lhe os parabéns, porque, naquele dia, era o seu 40º aniversário.

Depois do almoço, enquanto eu e a Patrícia fomos com a Joyce à escola secundária assistir a um jogo de futebol, a Sónia, a Ju e o padre José António estiveram a preparar a formação de catequese que o último iria dar aos animadores do distrito nos três dias que se seguiram.
Houve missa às 18h, para celebrar os anos do padre Leonardo, que depois jantou connosco. Cantámos-lhe os parabéns e comemos bolachas.

No dia seguinte começou a formação de catequese, então tivemos oração logo às 8h. Assistimos um pouco à formação, mas às 10h eu, a Patrícia e a Ju fomos até à Escola Primária Completa de Cobué, porque a Ju, como é enfermeira, ia falar da importância de se lavar os dentes e as mãos. Eu e a Patrícia também fomos para podermos recolher imagens (fotografias e vídeos).
Esta escola não tem mesas nem cadeiras, portanto os alunos sentam-se no chão, com os cadernos e livros aos joelhos (os que têm cadernos e livros, porque há muitos que não têm), enquanto os professores ou ficam de pé, ou sentam-se numa cadeira.

Depois do jantar, houve um tempo de convívio entre os animadores, onde se esteve a cantar e a dançar.
Na sexta-feira, a formação de catequese continuou e antes das 16h houve missa. Depois do jantar fomos fazer uma oração com os animadores.

Na manhã seguinte, fui com a Joyce ao posto de saúde (o filho dela estava doente), enquanto decorria a formação de catequese. No posto de saúde não existem senhas e as pessoas não são atendidas por ordem de chegada: primeiro entram os homens e só depois é que entram as mulheres com crianças.
Antes do almoço houve missa e foi a mais emocionante: foi a missa de despedida do grupo (que ia voltar para Portugal) e do padre Leonardo (que vai estudar para Portugal, na Universidade Católica). Como forma de agradecimento por termos lá ido, a paróquia de Cobué ofereceu uma capulana a cada um de nós.

Depois do almoço, fomos com os miúdos até à praia, pois iríamos apanhar o barco para ir passear até outra paróquia do padre Leonardo.
A viagem de regresso ao Cobué foi muito agradável: vimos o pôr-do-sol e andámos de barco já de noite, apenas com a lua cheia a iluminar-nos. Pensei o quão agradecida estava por estar ali e por estar a experienciar algo desta dimensão e desta responsabilidade, tendo apenas 21anos. Pensei “quantas pessoas de 21 anos podem dizer que já andaram de barco no Lago Niassa, enquanto viam o pôr-do-sol? E quantas pessoas de 21 anos podem dizer que estiveram em contacto com as crianças e as pessoas como as que eu estive em contacto no Cobué?”. Senti-me (e sinto-me) a pessoa mais sortuda do Mundo. Acho que nunca tinha estado tão agradecida por estar viva e por estar a viver.

Foi a nossa última noite passada no Cobué e, no dia seguinte, o padre José António celebrou a última missa, sendo que fomos embora logo a seguir.

Catarina Ramalheira e Patrícia Sales

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sinais da presença dehoniana em Moçambique

Falar sobre a presença dehoniana em Moçambique é recuar no tempo e ir aos meus tempos de menino e moço quando no seminário Pe. Dehon ouvia deliciado as histórias que os nossos missionários que estavam naquele país contavam na sua passagem a caminho de umas merecidas férias. Nessa altura, pensava como devia ser bela essa vida cheia de aventuras, imprevistos e muita coragem e confiança em Deus à mistura. Os anos foram passando e fui acompanhando, por vezes preocupado, mas talvez sem o entusiasmo juvenil dos primeiros tempos, a actividade dos nossos missionários que passaram por momentos difíceis nos tempos da independência de vários países africanos, mas permaneceram corajosamente firmes junto das suas comunidades cristãs.

Os anos foram passando e quando nada o fazia prever, nem estava nos meus planos mais imediatos, eis que me surgiu a oportunidade de acompanhar um grupo de jovens voluntários até à Diocese de Lichinga, situada na Província do Niassa, no Norte de Moçambique. Era a oportunidade de recordar vendo “ao vivo e a cores…” todas aquelas histórias contadas com tanto carinho nos primeiros tempos de seminário.
Foi assim que partimos para uma experiência missionária de um mês (Agosto) 11 voluntários cheios de entusiasmo e vontade de oferecer um pouco das suas vidas àquele povo simples e humilde, acolhedor e feliz, alegre e sonhador. Na nossa bagagem levámos a vontade de ser próximos e amigos, úteis e solidários vivendo com entusiasmo o seu dia-a-dia. Tínhamos consciência que no dar e receber nós íamos sair beneficiados, mas isso faz parte da recompensa que é dada a todos aqueles que amam e se entregam sem reservas aos outros…

Agora já em Portugal recordo o carinho, alegria e amizade que nos foram dispensados por todos os locais de missão por onde passámos. Isto sucedeu em todas as comunidades dehonianas que nos acolheram e em outras comunidades onde o sorriso acompanhado de um cafezinho ou chá nos davam as boas vindas… A comunidade dehoniana na Casa Pe. Dehon em Maputo faz autênticos milagres para acolher os tantos voluntários e não só que lá pedem abrigo nem que seja por uma noite. Obrigado Padres Mario, Ruffini e Abel!

Apesar do cansaço já se notar em muita gente ninguém se esquivou (sempre era o nosso primeiro dia em Maputo, capital de Moçambique…) à oferta de visitar o Escolasticado Filosófico Dehoniano em Matola. Aqui ouvimos a já conhecida odisseia do Pe. Toller no tempo da guerrilha quando foi raptado e libertado pela RENAMO. Nesta altura o sono já ia fazendo estragos no grupo, mas indo buscar forças não sei onde houve ainda coragem para desafiar o Pe. Lázaro a mostrar-nos um pouco de Maputo “by night”. Houve quem só viu com um olho, mas deu para ficar com uma ideia meio tremida e aos flashes…

À chegada a Lichinga tínhamos à nossa espera D. Elio Greselin que com a sua espontaneidade e alegria contagiante cativou logo toda a gente chamando-nos “vadios” bem-vindos… Não posso esquecer a presença discreta, serena, amiga e cordial do Irmão Giuseppe Meoni que chegando das suas férias em família, na Itália, quando já nos encontrávamos em Lichinga nunca mais nos largou interessando-se por tudo e zelando para que nada faltasse para o êxito da nossa missão.

A diocese de Lichinga para além de ser muito grande não é nada fácil de gerir e precisa de muito apoio a todos os níveis. É uma Diocese ainda muito desorganizada e que possui um clero que ainda não compreendeu ou não quer compreender o seu bispo que quer renovar mentalidades e dotar a diocese de estruturas que garantam a sua sustentação e autonomia económica sem recorrer às sempre imprevisíveis ofertas que chegam do exterior. Outro sonho é o de atrair jovens estudantes com a construção de um polo universitário na cidade. Devido à extensão territorial da diocese, D. Elio procura e convida congregações de Irmãs que queiram constituir comunidades religiosas em algumas missões que estão abandonadas há muito tempo. Para além da presença espiritual tão necessária seriam também uma garantia de sucesso para as escolinhas que acolhem crianças e lhes dão formação humana e intelectual. Já lá estão várias congregações que fazem tanto e com muita dedicação (Teresianas, Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de Fátima, Religiosas do Amor de Deus; Irmãs S. José de Cluny, Irmãs Missionárias da Consolata…) mas são poucas para tantas necessidades. Permito-me destacar o trabalho de duas Irmãs não por que façam mais do que as outras, mas porque colaborei mais com elas: a Irmã Olívia que é a “ponte de ligação” dos voluntários que partem de Portugal para Lichinga. Alguém lhe chamou a “Irmã todo o terreno” e a “Super-Irmã” pela capacidade que tem de chegar a todo o lugar sempre bem-disposta e com a solução adequada para qualquer problema e a Irmã Maria José que com a sua irreverência e alegria contagiante consegue motivar todos os que estão a sua volta. Um obrigado muito grande para todas vós pelo vosso testemunho e amizade.

Já o sabíamos à partida e, por isso, foi com a maior das naturalidades e com votos de bom trabalho que nos íamos despedindo dos subgrupos que iam sendo espalhados por várias missões da diocese: a Telma e a Isabel foram para Marrupa; a Joana, Milu e Gabriela para Mitande; a Patrícia e a Paula na primeira semana ficaram na cidade de Lichinga e depois rumaram até Massangulo; finalmente o Vítor e o Ricardo trabalharam na biblioteca do ESAM na catalogação e distribuição por várias bibliotecas das toneladas de livros que são recolhidos aqui em Portugal e enviados para lá e, na última semana, foram até Metangula dar um curso de informática. O trabalho das nossas meninas consistia em encontros de formação e partilha com as educadoras e auxiliares de educação das escolinhas confiadas à Igreja. Claro que o momento mais desejado e apetecido do dia era o contacto com aquelas crianças com uns olhos muito bonitos e um sorriso de orelha a orelha a pedirem uma foto… Houve quem tirasse 500 fotos só num dia… É obra!...

Diz-se que “cada um tem aquilo que merece…” e, por isso, tive o privilégio de visitar algumas das primeiras missões dehonianas que ficam nas Províncias de Nampula e da Zambézia. Na cidade de Nampula encontrei o Arcebispo D. Tomé (dehoniano) confiante e empreendedor com uma grande vontade de formar bem o clero da sua diocese, nem que para isso tenha de o enviar até à Europa por alguns anos. Está empenhadíssimo na criação de algumas infra estruturas que sejam respostas concretas para várias necessidades da Diocese de Nampula. Projectos e sonhos há muitos, mas será precisa a boa vontade de muitas pessoas para que eles se concretizem. Na Paróquia de S. Pedro, confiada aos dehonianos, os Padres Ciscato, Augusto e Riccardo não tem mãos a medir para acompanhar os vários centros de culto espalhados à volta da paróquia (alguns a muitos quilómetros do centro) e tantos movimentos que fervilham na sede da paróquia como a catequese (infantil, jovens e adultos), acólitos e outros movimentos que necessitam da sua assistência contínua.

A presença em Nampula da Companhia Missionária, mais conhecidas por “Mariolinas…”, devido à actividade e à genica da Mariolina, uma das consagradas, é muito importante no campo do ensino e no acompanhamento de várias jovens vocacionadas. Com a ajuda da ALVD e do Pe. Adérito foi criada e montada uma biblioteca que é já um ponto de referência para os estudantes da cidade que encontram nela o que as bibliotecas do estado não conseguem dar.

Uma das minhas curiosidades era o Alto de Molócué porque lá tinha estado durante um ano de voluntariado a minha paroquiana Vera. Testemunhei o belo trabalho que os elementos da ALVD lá foram fazendo ao longo dos últimos anos e continuam a fazer. Parabéns a todos os que contribuíram e continuam a contribuir para que esta missão possua as condições necessárias para o trabalho que lhe é pedido. Encontra-se lá neste momento o António que vai dando explicações sobre todas as matérias escolares e introduzindo os interessados no mundo da informática. Esta missão passou ainda há pouco tempo por um momento muito doloroso com o acidente que vitimou a Maria Arbona. Sabemos que a vida continua e senti que ela é recordada com muito carinho: rezam por ela pedindo que ela reze por eles junto do Pai da Vida.

Seguindo viagem chegámos à grande missão de Milevane que ao longo dos anos já foi palco de muitas cenas… Imagine-se que a casa enorme que já foi um seminário, também já foi um quartel durante a guerra civil. Actualmente prepara-se para receber os noviços da Província SCJ de Moçambique. É uma casa linda com belos jardins mas que obriga a uma manutenção constante e dispendiosa já que os tempos de guerra deixaram feridas muito grandes no edifício.

A última paragem desta visita relâmpago foi o Gurúè, terra do famoso chá e do Centro Polivalente Leão Dehon. É espantoso o belo trabalho que é desenvolvido por esta escola que para além da formação de novos profissionais realiza trabalhos de carpintaria e de arte que são requisitados de muitos lados de Moçambique. O Pe. Hilário, ajudado pelos Padres Claudino e Lázaro, está atento aos sinais dos tempos (as crises não aparecem só na Europa…) e vai orientando com prudência e sabedoria a autonomia económica da escola. Penso não cair em exagero ao afirmar que este Centro Polivalente é a maior empresa daquela região dando emprego a muita gente e, por isso, garantindo melhores condições de vida a muitas famílias. O Pe. Hilário não se cansa de agradecer à Província Portuguesa SCJ a ajuda e o apoio que sempre lhe prestou e que tornou possível que o sonho do Centro se tornasse uma realidade. Aprecia e admira muito o trabalho dos jovens voluntários mas sugere que no futuro se pense também em enviar gente mais avançada na idade: reformados ou pessoas que possam dispor do seu tempo e dedica-lo a esta causa do voluntariado. Informa que no Centro existem pequenas casas que podem ser ocupadas e que favorecem a estes possíveis voluntários uma vida mais independente da comunidade religiosa. Aqui fica o desafio: haja vontade de trabalhar que trabalho não falta…

Já em Lichinga, depois desta viagem, percebi a razão do entusiasmo e da alegria que os missionários, de passagem por Portugal, nos transmitiam quando eu era ainda uma criança no seminário. Só quem ama sem limites e se doa aos outros sem condições é capaz de construir as obras tão belas que eu tive a felicidade de ver e sentir.

Obrigado a todos os meus confrades moçambicanos e a todos(as) aqueles(as) que tiveram a ousadia e a alegria de partilhar um pouco das suas vidas comigo.

Padre José Manuel

terça-feira, 30 de agosto de 2011

MOVIMENTO DE VOLUNTARIOS ALVD A 25 E A 27 de AGOSTO

No dia 25 de Agosto, partiram para o Niassa - Cóbuè,  o grupo de Penalva do Castelo (P. José António, Lurdes e Sónia), assim como o duo de Lisboa (Catarina e Patrícia).




No dia 27 de Agosto regressaram os 10 lichinguenses com o P. José Manuel, todos sorridentes e felizes. Não acreditam? Perguntem aos dez.





E tu quando vais?

P. Adérito

terça-feira, 16 de agosto de 2011

3ª Crónica de Lichinga 2011

Otthuneya nthamwene, moshekuweliwa (= Caros amigos, boa tarde)
Aproveitando o tempo em que há electricidade e podermos usar a internet, aqui estamos nós, o já famoso grupo dos 10 lichinguenses, a partilhar com os nossos amigos o que vamos vivendo, vendo e fazendo neste cantinho do céu da província moçambicana do Niassa, plantado não à beira mar…, mas nas margens do grande lago com o mesmo nome.
Não foi notícia de 1ª página nos noticiários cá do sítio, mas bem podia acontecer que um bloco de informação tipo “Portugal em Directo” que passa na televisão portuguesa ao fim da tarde abrisse com a seguinte notícia: “Mitande nunca mais será igual...” E, depois continuaria a jornalista: com a chegada a Mitande de três portuguesas com os nomes estranhos de Joana, Gabi e Milu terminou a calma e o sossego nesta população tão conhecida pela sua pacatez. Elas não param, nem deixam parar… e com a sua alegria contagiante estão a fazer acções de formação às educadoras das escolinhas da cidade e a dinamizar toda a comunidade com o consentimento e ajuda do pároco e da comunidade de Irmãs que as acolhem.

Obedecendo ao projecto traçado em Portugal e que aqui, por vezes, é alterado e adaptado devido a tantos factores que só quem vem a África percebe partiram na passada 2ª feira para Massangula a Patrícia e a Paula. Ficaram por lá toda a semana e na ausência das Irmãs que as acolheram – estas foram encontradas em Lichinga a tratar de assuntos burocráticos - foram as nossas duas voluntárias que tomaram conta da residência: dormiam iluminadas por velas ou pela luz das pilhas que levaram consigo e tomavam as refeições na casa do padre da missão. As refeições têm muito que se lhe diga, pois há alimentos, costumes e sabores a que não estamos habituados. Assim, quando em Massangulo foi servido um determinado peixe que pela aparência não convenceu as nossas duas missionárias a Patrícia logo teve arte e engenho de confeccionar na altura um novo menu: esparguete misturado com alface !!!!). Isso mesmo que estão a pensar: estava uma delícia e o peixe ficou para quem por lá passasse mais tarde…
Quanto à escolinha e missão católica, pelas suas informações, há muitas necessidades. O lar que acolhe 40 adolescentes e jovens está com o tecto em risco de ruir. Precisa-se de quem possa ajudar a custear as obras de restauração já que o Estado não dá qualquer ajuda económica para estas instituições fundadas e alimentadas pela Igreja e pela boa vontade de tantos missionários e missionárias que procuram ir ao encontro desta parcela do povo moçambicano esquecido e ignorado por quem de direito.



D. Élio, bispo da diocese e também dehoniano, instituiu a bonita Igreja de Massangulo, construída pelos missionários da Consolata, como Santuário Mariano da Diocese. É uma Igreja muito bonita rodeada de um complexo de construções onde já funcionou uma carpintaria, uma escola, uma universidade e tantas outras valências.
Na mesma 2ª feira logo de madrugada – aqui o dia começa cedo – partiram para Marrupa o Pe. Zé Manel, o Ricardo e o Vítor conduzidos pela incansável Irmã Olívia. A missão era ir buscar a Telma e a Isabel. Foi um passeio espectacular pelo norte de Moçambique. O desejo era ver algum elefante, hipopótamo ou crocodilo, mas foram todos de férias e só conseguimos ver algumas famílias de macacos que faziam as suas macaquices ou atravessavam a estrada a correr. Não eram nada fotogénicos, pois nem davam tempo para podermos apontar as máquinas fotográficas…
A chegada a Marrupa foi uma surpresa muito agradável. Cidade pequena, mas muito limpa e organizada. A escolinha onde as nossas voluntárias trabalharam é “bué de fixe” e as crianças e as monitoras foram de tal simpatia que nos acolheram cantando as boas vindas. Houve quem ficasse sem palavras perante tanta sensibilidade e delicadeza.
A comunidade das Irmãs da Consolata, na hospitalidade que caracteriza os missionários, partilharam connosco o seu almoço e disseram-nos maravilhas do trabalho realizado pelas nossas Isabel e Telma. Estas estavam completamente enraizadas e até já tinham metido conversa com uns espanhóis que também por ali andavam. A Isabel continua a ser a nossa agente de “relações públicas”. Seguindo o ditado “em Roma sê romano” a Telma pô-lo em prática e pensou: em Moçambique sê moçambicana e assim já andava toda vaidosa de capolana. Outros objectos característicos e muito carinho foram-lhes presenteados numa festa de despedida que as comoveu e que as deixou na hora da partida com a vontade de lá voltar. A comunidade das Irmãs, assim como o pároco agradeceram muito e esperam que lá se volte o mais depressa possível.
A sua intervenção não se desenvolveu apenas na “Escolinha José Allamano”, mas também à comunidade em geral – pais, encarregados de educação e parceiros locais como a Rádio de Marrupa.
Soubemos também que houve um pormenor muito interessante nas noites desta estadia em Marrupa. Por volta das 22.00 horas a Telma e a Isabel eram visitadas por um barulho estranho. “Corajosas!?…” como são não se queriam assustar uma à outra: assim a Isabel “sofria em silêncio…” pensando que a Telma dormia e não a acordava para que esta não ficasse também com medo e vice-versa… Pelas suas cabeças passaram muitas leituras de tal acontecimento: Um rato? Um morcego? O vento? Um estranho? Alguém para as acalmar disse-lhes que talvez fossem “almas do outro mundo”…


À chegada a Lichinga ficaram hospedadas na casa episcopal onde ajudarão na catalogação dos livros para as bibliotecas e depois irão para a “Escolinha do SORRISO”.
O Ricardo e o Vítor continuam mergulhados nos livros que é preciso separar, catalogar e distribuir por kits que depois serão distribuídos pelas bibliotecas das escolinhas, paróquias e ESAM. Suspiraram de alegria quando souberam que iam receber a ajuda da Telma e da Isabel que durante o resto desta semana e antes de começarem um novo projecto na escolinha SORRISO. Verdade se diga que as montanhas de livros que ocupavam a sala de reuniões da casa episcopal foi desaparecendo paulatinamente para grande consolo de D. Élio que por aqui ficou esta semana e teve de improvisar outra sala para receber quem o procurava. Na próxima semana, os dois vão dar formação de informática para Metangula. O Ricardo quer ir trabalhar com os “meninos”, mas a altura chegará lá mais para a frente…
Como podem ler continuamos alegres, bem-dispostos, já sabemos umas palavras de macua, já comemos de tudo um pouco… e constatamos que o tempo está a passar depressa de mais.



Ekumi ya athu othene (= Saúde para todos). Os lichinguenses
Lichinga, 15 de Agosto de 2011