sexta-feira, 8 de março de 2013

TESTEMUNHO PESSOAL

Conheço a realidade Moçambicana pelas vezes que visitei o país, pelo que não estranhei. Embora não conhecesse a província do Niassa, em nada é diferente das outras províncias de Moçambique.

É uma terra onde falta sobretudo conhecimento e a população está bem consciente desse problema e deseja-o. Percebi através do contacto que estabeleci com as pessoas que embora sendo um povo simples sabem o que é essencial para o desenvolvimento do país: mais conhecimento, e melhor informação.

Nesse sentido, o projecto no qual fui inserida foi bastante útil, pois actuou na base da educação, com os mais pequenos. É através do estímulo e desenvolvimento das crianças que se consegue prepará-las para as aprendizagens futuras.

Nas escolinhas um dos grandes problemas dos educadores é não terem materiais adequados para poderem desenvolver as actividades próprias e inerentes ao desenvolvimento da criança.

Outro grande problema é a informação/formação que necessitam para melhorarem o seu trabalho enquanto educadores. A Internet existe e está disponível, no entanto, não há recursos financeiros que permitam o acesso à mesma.

Gostava de ter ficado mais tempo, pois na formação em que participei faltou tempo para a consolidação de conhecimentos. Ou então o projecto deveria ter outro formato, de forma a permitir esta consolidação de conhecimentos.

Apesar de nunca ter trabalhado com crianças não senti dificuldades em interagir com elas e desempenhei com muito entusiasmo todas as actividades. O ritmo de trabalho foi muito intenso, pois rapidamente percebi que era importante passar o maior número de informação possível.

Nos momentos de exaustão física, que houve, valeu-me as palavras do Pe. Nuno que no último domingo antes da partida para Moçambique que me disse: “quando estiverem cansados pensem em todos os que cá ficaram e vos ajudaram nesta vossa missão”.

Estas palavras ajudaram-me a esquecer o cansaço e aumentaram a minha capacidade de entrega e de sacrifício mesmo nos dias em que estive doente, pois embora o corpo pedisse algum descanso e as dores incomodassem, a disponibilidade para o outro pesou mais forte.

Foi muito importante a preparação feita em Portugal, pois apesar te ter mais de 20 anos de experiência como formadora, nunca tinha trabalhado na área da Educação Infantil tendo sido de maior relevância as pesquisas que fiz na área e as orientações que me foram dadas por algumas amigas Educadoras de Infância.

Constatar a capacidade de entrega e de serviço por parte de algumas pessoas com quem contactei no Niassa, reduzem a minha participação como voluntária neste projecto a uma gota de água no oceano. Sei que todas as gotas de água são importantes e por isso estou disposta a ir muitas mais vezes.

Sentir o agradecimento de um povo só pela simples razão de eu estar lá e poderem partilhar comigo alguma da sua cultura foi também muito gratificante, fez-me sentir bem e integrada na comunidade.

Perante os novos desafios do projecto não tive qualquer dificuldade em prepará-los e em executá-los, pois a minha experiência profissional e as minhas características pessoais permitem-me ter esta capacidade de adaptação e concretização.

Do meu contacto com as crianças e os jovens constatei que os livros de leitura e os filmes em português são muito desejados. Na aprendizagem dos jovens faz falta quem lhes dê explicações em áreas mais específicas como por exemplo a matemática.

Senti que apesar de termos o projecto bem preparado, podíamos ter rentabilizado melhor a participação de cada um. A necessidade que alguns voluntários tiveram de não estarem sozinhos a desempenhar algumas tarefas, deixou-me o sentimento de desperdício de tempo. Já que o nosso tempo era curto deveria ter sido rentabilizado ao máximo.

Ao nível das relações humanas tive de lidar com pessoas diferentes o que é normal quando se trabalha em equipa. Os problemas foram sempre resolvidos, com mais ou menos discussão, é certo, mas sempre nos momentos próprios, isto é, durante as reuniões de avaliação diárias e nunca à frente de terceiros.

Não saí zangada de Lichinga com ninguém. Tive algumas reacções de quem já finalizou o projecto e já só quer descomprimir e reage “em família”. Na minha família, às vezes, discutimos e temos reacções mais emotivas, mas ninguém fica zangado com ninguém. Durante um mês fizeram parte da minha família as 3 voluntárias que estiveram comigo no projecto das escolinhas. É assim que as sinto.

O que mais recordo neste grupo das 4, é a camaradagem, o espírito de inter-ajuda, as boas gargalhadas que fomos dando ao longo do mês e o êxito do nosso projecto.

Linda Furtado

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

CAMPANHA DE LIVROS PARA O NIASSA EM PÓVOA DE SANTA IRIA

A Paróquia de Póvoa de Santa Iria recebeu a Campanha de Livros para o Niassa no fim de semana de 26 e 27 de Janeiro. O espírito de solidariedade desta comunidade sobrepôs-se ao tempo chuvoso que se fazia sentir.

O nosso agradecimento ao acolhimento que nos foi feito na Igreja Paroquial de Nª Srª do Rosário de Fátima, pelo Pároco Pe António Jardim Santos, amigo de longos anos de D. Élio, o Bispo de Lichinga, de quem foi colega de curso, como fez questão de recordar, falando da sua simplicidade como ser humano e da sua entrega à recolha de apoios para uma diocese que tem perto de 130.000km2 e muitas necessidades.

Também na Igreja de Nossa Senhora da Paz, o Pe João Nóbrega, coadjutor da paróquia, apesar de apanhado de surpresa pela nossa presença, apresentou a nossa Campanha e apelou à generosidade para com esta causa.

A todos nestas comunidades, o nosso Bem Hajam

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

SOCIEDADE DE ADVOGADOS “MORAIS LEITÃO, GALVÃO TELES, SOARES DA SILVA & ASSOCIADOS” COLABORA NA ANGARIAÇÃO DE LIVROS DE DIREITO PARA A BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE EM LICHINGA-NIASSA

O escritório de advogados “Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados”, soube da nossa campanha através do Dr. João Serra, e foi com empenho que a Drª Joana Galvão Teles assumiu lá dentro esta campanha.

A contribuição dada por esta equipa de advogados de vários livros e publicações na área do direito, é um valor acrescentado neste primeiro contentor que já seguiu com destino final para a Biblioteca da Universidade Católica de Moçambique que abriu o ano passado em Lichinga com o curso de direito e cujas prateleiras aguardam impacientes e vazias a chegada de livros.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA ENVIA LIVROS PARA A UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE EM LICHINGA-NIASSA

A Universidade Católica Portuguesa, através do seu Departamento Editorial, e pela mão da Arq. Margarida Appleton, fez-nos chegar uma seleção de livros dentro das áreas temáticas abrangidas pela nossa campanha destinados à Biblioteca da Universidade Católica de Moçambique em Lichinga, província do Niassa.

Pela mais valia que estas obras trazem a esta futura biblioteca pela sua excelência, e pela adesão à nossa campanha, o nosso obrigado


 


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

CAMPANHA DE LIVROS PARA O NIASSA. O PRIMEIRO CONTENTOR JÁ SAIU DO PORTO DE SINES

Informamos todos os que têm colaborado nesta Campanha de Livros para o Niassa, que um contentor de 20 pés chegou ao Seminário de Alfragide pelas 18.00h de terça feira, dia 15 e, após ser carregado por cerca de 40 voluntários, partiu quarta feira de manhã, cheio de livros, com destino ao porto de Sines. No dia 25 de Janeiro, partiu de Sines, para o porto de Nacala, no norte de Moçambique. Daí, por terra, seguirá de camião para Lichinga, a capital da província do Niassa. Neste momento, o contentor já vai no alto mar e assim continuará durante 40 dias.

 
Nesta primeira fase, foram enviadas 1288 caixas (para cima de 30.000 livros).

A nossa campanha continua a decorrer, e continuamos a reunir livros para enviar mais um contentor para atingirmos o objetivo inicialmente definido.

Necessitamos particularmente de livros de economia, gestão, administração pública, direito e agronomia, não descurando todo o tipo de livros de ciências sociais e humanas.

Continue a acompanhar esta campanha no nosso blog: http://alvd2010-2020.blogspot.pt/

A todos os que contribuíram e continuam a contribuir para esta campanha, o nosso obrigado e parabéns. Só a vossa colaboração tornou possível o envio deste contentor.

Mais uma vez, muito obrigado.

Em nome de toda a Associação de Leigos Voluntários Dehonianos (ALVD)

P. Adérito Gomes Barbosa, scj

Alfragide, 30 de Janeiro de 2013

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

MENSAGEM DA EQUIPA COORDENADORA EUROPEIA À FAMÍLIA DEHONIANA

1. PARTICIPANTES
O primeiro encontro alargado da coordenação europeia da Família Dehoniana decorreu em Foligno (Itália) de 18 a 20 janeiro de 2013, com os representantes da Família Dehoniana da Europa.

Estiveram presentes
- os Conselheiros Gerais da Congregação scj, Pe Cláudio Weber (responsável pela Familia Dehoniana), Pe John den Hengel (responsável pela Europa). O Pe Fernando Fonseca esteve como secretário e coordenador da animação litúrgica do encontro e membro do grupo coordenador do iter formativo.

- pelas Províncias scj, como religiosos delegados: P. Adérito Barbosa (Portugal), P. Ramón Dominguez (Espanha), P. André Perroux (EUF), P. Bruno Pilati (Itália do Norte), P. Vincenzo Martino (Itália do Sul), P. Józef Gawel (Polónia) e P. Frans Voss (Finlândia). Não puderam estar presentes os delegados da Inglaterra, da Alemanha e da Holanda.

- pelas consagradas: A Anna Maria representou o Instituto Secular da Companhia Missionária. Estiveram presentes ainda duas consagradas da Itália do Sul (Paola e Franca).

Não pode estar presente a delegada do Instituto das Missionárias do Amor Misericordioso do Coração de Jesus, existente só em Portugal.

- pelos leigos: Emília Meireles (Portugal) e Mari Carmen (Espanha). Não pode estar presente Donatella Martelli (Itália do Norte).


2. OS DEHON HOJE
O Pe Perroux apresentou-nos o tema sobre a família dos Dehon hoje, numa perspetiva genealógica dos Dehon desde a Idade Média até hoje.

Não esqueceu de sublinhar a importância da família, nomeadamente, os pais e a avó paterna no desenvolvimento humano e espiritual do Pe Dehon.

Em 2005, reuniram em Roma 105 descendentes dos Dehon. Ainda hoje, os Dehon em França, sentem-se orgulhosos do seu Padre Dehon.


3. PARTILHA DE EXPERIÊNCIAS DA FAMÍLIA DEHONIANA A PARTIR DE CADA PAÍS

Cada grupo apresentou o que se faz de concreto a partir da espiritualidade dehoniana: os leigos, as consagradas e os religiosos dehonianos.

Fez-se referência à Carta de Comunhão e à proposta de vida dos leigos dehonianos.

 A Família Dehoniana, entendida como o conjunto dos diversos componentes (Scj, Consagrados e Leigos) que se inspiram no projeto espiritual do Pe. Dehon, como resposta à vocação pessoal e missão na Igreja, é hoje uma realidade. (Carta de Comunhão, nº 1).

O Fundador tem o dom particular de perceber a dimensão do carisma, de vivê-lo em primeiro lugar, de propô-lo à Igreja como "Projeto de vida evangélica" que vai além das fronteiras do Instituto que ele funda.

Neste sentido, o Fundador é um verdadeiro "pai espiritual", mesmo quando o carisma, prolongando-se no tempo, se transmite e se exprime em novas formas, que não foram percetíveis até ao presente; formas que depois foram reconhecidas como autênticas e aprovadas pela Igreja. (Carta de Comunhão, nº 5).


4. ITINERÁRIO FORMATIVO PARA OS LEIGOS  ADULTOS DEHONIANOS

Antes de mais, a Espiritualidade Dehoniana caracteriza-se por alguns elementos fundamentais:
a. a centralidade do mistério do Coração de Cristo, como amor que atinge os homens e que revela o amor do Pai - amor esse rejeitado pelo pecado;

b.  a participação na oblação de Cristo na Eucaristia celebrada e adorada, partilhando os sentimentos pelo Pai e pelos homens, cooperando na construção da civilização do amor;

c.       a aceitação da Virgem Maria como modelo de disponibilidade na fé;

d. o "sentir com a Igreja", o partilhar a paixão pelo anúncio do Evangelho, o empenho pela justiça, pela verdade, pela solidariedade, pela cultura...

e. o ser profetas do amor e servidores da reconciliação, atentos aos apelos da humanidade (promoção da dignidade humana, da paz, da fraternidade universal).

Tudo isto se concretiza num estilo de vida pessoal, caracterizado pela união com Cristo e pelo atento e cordial acolhimento das pessoas, por uma plena inserção na realidade do próprio contexto em que estamos inseridos e na história humana. Orienta a missão da Igreja com acentuação privilegiada no anúncio do amor de um Deus misericordioso e compassivo e no testemunho do amor e da ternura de Deus, que se manifestam no coração humano de Cristo. Recorre a sinais visíveis, como a adoração eucarística e a oblação reparadora, o culto ao Coração de Jesus, a memória do Pe. Dehon... por meio dos quais manifesta a sua identidade. (Carta de Comunhão, nº 11).

Neste sentido do projeto, o P. Claudio Weber, conselheiro geral, responsável pela Família Dehoniana, apresentou aos delegados da Europa a proposta do Itinerário formativo para os Leigos Dehonianos Adultos:
Fase inicial: criar “Familiaridade com a vida dehoniana”, e pode ir de alguns meses a um ano.

Fase de aprofundamento, está dividida em três anos:
 Primeiro ano: “Encontrar Jesus Cristo com o P. Dehon”; tem como conteúdo a relação do P. Dehon com Jesus Cristo;

 Segundo ano: “O caminho do P. Dehon”; tem como conteúdo a vocação e a comunhão do P. Dehon na Igreja;

 Terceiro ano: “Para a vida do mundo”; tem como conteúdo o apostolado e a dimensão social do P. Dehon.

Fase da Formação Permanente, quer proporcionar conteúdos para a perseverança no compromisso assumido como Leigo Dehoniano. Alguns destes conteúdos poderão ser propostos novamente com ulteriores aprofundamentos. (Cf. Itinerário Formativo).

Os grupos de trabalho e a partilha ajudaram a encontrar uma orientação comum e a sintonizar melhor no modo como elaborar o itinerário formativo.

5. ESCOLHA DO GRUPO COORDENADOR DA FAMÍLIA DEHONIANA DA EUROPA

Foram escolhidas as pessoas do grupo coordenador:
voz dos scj: p. Adérito Gomes Barbosa (Portugal) e p. Bruno Pilati (Itália)

voz das consagradas: Anna Maria Berta (Companhia Missionária) e Paola (Itália),

voz dos leigos: Cármen Portals Gòmez (Espanha) e Donatella Martelli (Itália)

O P. Adérito Barbosa foi eleito, pelo grupo, como coordenador do coordenamento europeu.

O grupo coordenador da Família Dehoniana da Europa: 
• É um instrumento de coordenação ao serviço do caminho da Família Dehoniana na Europa;

• É formado por representantes das várias vozes;

• As vozes deveriam ter uma vida-organização própria e sentir-se ao mesmo nível na dignidade e na responsabilidade nos encontros de coordenação;

Como um diretor do coro, o grupo coordenador europeu da Família Dehoniana escuta as várias presenças da Família Dehoniana, coordena, informa, relaciona, sustém, confirma ou ajuda a esclarecer; procura encorajar e rever o que for necessário. A internacionalidade pode ajudar a presença local.

O grupo deverá promover a comunhão, a comunicação, e a partilha dos materiais formativos e subsídios.



6. PERSPETIVAS
Em 2014, está previsto uma reflexão a partir da Administração Geral da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus sobre a partilha do carisma na família dehoniana; após a Páscoa de 2014, poderia fazer-se um encontro internacional no qual deveriam participar os convocados destes dias em Foligno (aos quais chamamos coordenamento europeu alargado da família dehoniana). Nessa ocasião, poderá aproveitar-se para realizar um encontro de coordenamento europeu alargado, segundo uma agenda de trabalho preparada pela equipa de coordenação da família dehoniana da Europa.


7. MISSÃO DEHONIANA
Condividimos o que diz a Carta de Comunhão da Família Dehoniana.

A missão Dehoniana exige:
a.  “instaurar o Reino do Coração de Jesus nas almas e na sociedade”, animados e estimulados pela nossa espiritualidade característica;

b. colaborar na instauração desse Reino com a oração e com o empenho concreto em favor das pessoas, da Igreja, da sociedade, no âmbito da Igreja local;

c. estar aberto a eventuais colaborações pastorais com os outros componentes da Família Dehoniana.
A missão Dehoniana está aberta a 'concretizações' diversificadas e não se identifica exclusivamente com uma única atividade apostólica (Carta de Comunhão, nº 12).
Assim, animada pelo Espírito, a Família Dehoniana é chamada a viver esta herança na vida quotidiana, segundo o próprio estado de vida, com empenhos concretos, pessoais e comunitários, espirituais e sociais. (Carta de Comunhão, nº 13).

O coordenador
P. Adérito Gomes Barbosa, scj
Roma, 25 de Janeiro de 2013

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

“UMA VEZ ESCUTA, SEMPRE ESCUTA”

A Fraternidade de Nuno Álvares, associação católica de escutismo adulto, atenta ao nosso apelo, reuniu cerca de 1000 livros e enciclopédias temáticas, em bom estado, provenientes de excedentes da biblioteca da sua sede nacional, na Rua das Chagas, em Lisboa.

Foi um grupo de membros da região de Lisboa, bem dispostos e solidários, que nos ajudou a colocar as 20 caixas dentro da carrinha da ALVD para seguirem para Alfragide, ainda a tempo de irem no primeiro contentor que já partiu com destino à província do Niassa.

A todo este grupo, que mantém vivo o ideal escutista, na vivência da fé e do humanismo cristão, no serviço voluntário ao próximo e, neste caso, à população do Niassa.

            Um obrigado, em moçambicano: KANIMANBO