domingo, 21 de abril de 2013

PISAR PELA PRIMEIRA VEZ TERRAS DE MALIANA


1. Maliana

Maliana é uma cidade de Timor Loro Sae, a 149 km de Díli, que é a capital, com 22.000 habitantes. É a capital do distrito de Bobonaro. Está localizada a poucos quilómetros da fronteira da Indonésia.  É a sede da Diocese de Maliana.

Maliana tem muita agricultura sobretudo arroz, milho, mandioca e banana. Durante o tempo da ocupação da Indonésia Maliana fornecia arroz para todo o Timor Loro Sae  e para o Timor da Indonésia.

Maliana tem sete cidades: Lahomea, Holsa, Ritabou, Odomau, Raifun, Tapo-Memo and Saburai. Tem grandes ribeiras: Bulobu, Nunura, Malibaka e Bui Pirar. Os dialetos de Malianba são:  Bunak and Kemak. A maior parte da população fala Tetum, embora o português seja a primeira língua pela constituição timorense.

Maliana teve e tem um grande colégio com boa fama de educação, tendo entre outros alunos o atual bispo de Baucau (D. Basílio) e muitos políticos atuais timorenses: Colégio Infante Sagres.




2. Viagem

A viagem para Maliana começou no aeroporto de Lisboa, dia 11 de abril, 5ª feira, às 14.20h. Depois de passar pelo Dubai e por Singapura cheguei a Díli, sábado, ou seja, dia 13 de abril, três dias depois a Timor Loro Sae, às 14.20h.

Os representantes da diocese de Maliana levaram-me até Maliana. Calcorreamos estradas não muito alcatroadas, e com mais do que alguns buracos com um diâmetro significativo e bastante visível.

Assim, saímos às 15.00h e chegamos às 21.00h.
No domingo, dia 14 serviu para planear com o bispo estes dias que vou estar aqui em Maliana: jornadas com os padres, religiosos e religiosas (100 participantes), jornadas com os organismos da diocese (200 participantes), jornadas com os jovens (200 participantes), jornadas com os alunos das escolas (300 participantes), jornadas com os professores de religião (150 participantes), jornadas com os catequistas (200 participantes). Estes são representantes ou delegados dos respetivos grupos.

 
Seguiu-se ainda no domingo de manhã um encontro com a responsável da catequese pela diocese, a irmã canossiana Rosa que, apresar da sua idade, tem um dinamismo e uma capacidade de coordenação que era capaz de ganhar um concurso nos computadores.

O almoço foi em casa das irmãs de clausura Clarissas que vieram de Monte Real. Enquanto não têm o convento/mosteiro construído, estão numa casita, mas o almoço foi como se fosse de um restaurantão, Bom almoço. Obrigado.
Lá lhes ofereci o meu livro cristãos com fé e escrevi a dedicatória. Atenção. Estamos no ano da fe (sta).
Lá fomos começando o trabalho de sol a sol (como os jornaleiros).


E estamos a continuar até ao dia 26 de abril, já que a 27 de abril começo a minha peregrinação aérea para Lisboa…

Adérito Gomes Barbosa, scj
Maliana, 21 de abril de 2013

domingo, 7 de abril de 2013

Mais uma missão cumprida!

Enquanto o nosso contentor navegava pelos mares que o fariam chegar a Nacala, continuávamos a efetuar contactos para simplificar ao máximo o desalfandegamento de 1274 caixas. A ânsia era muita! As semanas iam passando, pois a tempestade não ajudara a que a sua chegada fosse na data prevista.

No dia 30 de março, véspera do dia de Páscoa, chegou a Lichinga, Província do Niassa, o contentor de livros, vindo de Portugal. O Aleluia já se cantava antes da vigília pascal, a alegria era muita! Após o sinal do motorista aquando da sua chegada, foram feitos vários contactos para ajudar na missão deste camião. Uma equipa de última da hora: jovens, irmãs e trabalhadores, uniram forças para uma grande tarefa, descarregamento de 1274 caixas de livros, destinadas à Universidade Católica, escolas da Diocese e ao Secretariado de Pastoral. Todos colaboraram para que esta missão se tornasse mais leve e mais rápida.

Após algumas horas de trabalho no descarregamento das caixas, o cansaço fez-se sentir; 3h30m ao sol (30 graus), sem espaço para o descanso. Até que, para nós cristãos, a Vigília estava quase à porta, precisávamos de alguma tempo para nos preparamos!
Valeu a pena o esforço!

Graças a muitas pessoas anónimas, aos amigos, voluntários e, sobretudo, à Associação de Leigos Voluntários Dehonianos de Portugal (ALVD), foram milhares os livros que juntaram ao longo dos últimos meses para serem enviados para Lichinga.

Muitas crianças, jovens e adultos agradecem-vos de todo o coração. Que esta missão os ajude a crescer em sabedoria. Que a Educação seja um pilar forte nas suas vidas, para que o amanhã tenha um novo rosto e uma nova história.

Esta Diocese encontra-se hoje com mais esperança e alegria, encontra as marcas do vosso amor, do vosso carinho e da vossa oferta!

Que esta corrente de corações atravesse o oceano e chegue à casa de todos os que colaboraram para que tanto bem aqui chegasse. Que esta gratidão, que hoje brota do nosso coração seja um sinal de união e que Deus recompense a todos pelo vosso esforço, carinho e empenho e vos cumule de paz, alegria, felicidade, porque há mais alegria em dar do que em receber.

A todos, que de uma forma ou outra, acreditaram e ajudaram a tornar real mais um sonho em nome da diocese de Lichinga, vai o nosso sentido e profundo muito obrigada!

Enviamos algumas fotografias no descarregamento do camião




Em nome da organização que recebeu o contentor para o Niassa, obrigado à ALVD.

Lichinga, 6 de abril de 2013
Ir. Maria José Silva – Teresiana

sexta-feira, 29 de março de 2013

A língua madrasta



Para nós portugueses o português é a nossa língua mãe. Embala-nos desde a nascença, conforta-nos na infância, acompanha e suporta os nossos pensamentos, a nossa lógica e a racionalização dos nossos sentimentos. Mesmo quando vivemos refugiados e fugidos do nosso país, o idioma lusitano nunca nos abandona. Muitas vezes a nossa relação com as outras línguas passa pela forma como entendemos a nossa própria língua, coando e filtrando os signos estrangeiros através dos que aprendemos como nossos.


Mas, para muitos neste mundo, o português é a língua madrasta. Nem sempre os trata como filhos, nem sempre os ajuda a ultrapassar as dificuldades do mundo social.

Em Moçambique vejo-me como uma das poucas filhas legítimas no meio de tantos filhos adoptivos. Moçambicanos de gema e italianos, espanhóis e outros latinos, e até asiáticos e outros povos deste mundo vasto em que vivemos aprendem a comunicar nesta língua estranha que é o português. Língua mãe há só uma, e cada um tem a sua. Por muito que as convenções da língua de estado os chame, a mãe falará sempre mais alto.


A forma como formulamos as frases, as expressões usadas, a sequência lógica da poesia da razão linguística, os sons e as pronúncias: cada idioma tem uma cultura própria.
E a(s) cultura(s) moçambicana(s) não podia(m) ser mais diferente(s) da nossa. Com certeza podemos encontrar alguns pontos de coincidência (tendo em conta até que nós não somos tão europeus quanto o europeu modelo). Mas as diferenças estão a alguns centímetros dessa superfície de ocidentalização de África.

A língua é a primeira prova. Se sentimos que a comunicação é facilitada pelo facto de (quase) todos falarem a nossa língua, depressa percebemos que não é realmente assim. Podemos dizer que esta sensação é fortalecida pela distância cultural de cada povo. Talvez não seja tão forte em relação a europeus e outros ocidentais que encontramos nestas paragens, mas é evidente quanto aos africanos.
Para quem não sabe, em Moçambique há muitos mais dialectos que filhos por casal, e acreditem que as famílias por aqui são bem numerosas. Em Nampula fala-se o macua, em Alto-Molocué e Gurué o lomwe e em Quelimane o chuabo. Falamos de apenas duas províncias (Moçambique tem onze), e estas não têm apenas estes dialectos. Ainda assim, basta pensar que a base linguística é a mesma (banto), e que é bem distinta da do português. Imaginem a dificuldade em aprender duas línguas tão distintas (para quem aprende português, porque há quem não chegue a aprender, ainda que seja a língua oficial do país).

Mas a língua mãe não é nem nunca será o português. Tal como nós quando comunicamos numa língua estrangeira, quando ouvimos as palavras temos de as peneirar através do nosso idioma e coar o nosso pensamento no filtro do nosso muitas vezes parco conhecimento da língua estrangeira. A comunicação fluída entre um português e um moçambicano pode ser muitas vezes uma farsa.
Cai-se também no erro de sermos considerados o bastião da língua portuguesa, os representantes da forma perfeita do idioma que nasceu no nosso território e no seio da nossa cultura. A língua não é uma ciência de academia, e nós não somos os seus eruditos guardiões duradouros. Esquecem-se que a língua é de quem a fala, é de quem a alimenta, um animal que às vezes morde, mas ladra alegremente se o mantêm vivo. O português tem tantas formas e feitios, sotaques e entendimentos, expressões e significados quanto falantes. Enquanto não percebermos isso, não acolheremos a lusofonia no seu pleno. Mesmo que ela seja a nossa língua mãe, ou a nossa língua madrasta, sabemos que ela nos pode tratar bem se nós fizermos o mesmo com ela. Ainda que essa relação dependa tanto das nossas outras mães, adoptivas ou não.

(sobre a cultura, ou pelo menos a comparação possível entre culturas, falarei noutra altura)

Catarina Pereira

quinta-feira, 28 de março de 2013

ENTREVISTA DE D. ELIO, BISPO DE LICHINGA À RÁDIO ECCLÉSIA



D. Elio Greselin, desde Março de 2009, bispo da Diocese de Linchinga, província do Niassa, norte de Moçambique, passou recentemente pelo nosso país, conforme noticiámos na altura. Regressava de Roma, onde se deslocou para a reunião dos Bispos da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus, e deu uma entrevista para o programa “temas da actualidade” da rádio Ecclesia, que aqui partilhamos.

Uma visão muito lúcida do papel da Igreja em Africa, da evolução da situação religiosa e social destas comunidades que este Dehoniano tão bem conhece pois é pastor neste país desde 1966. Dá-nos, ainda, uma visão mais particular mas crítica da sua própria diocese.

link:  https://soundcloud.com/tito-miguel-costa/d-elio


quarta-feira, 20 de março de 2013

O PRIMEIRO CONTENTOR ALVD CHEGOU A NACALA.


Carregado a 15 de Janeiro no Seminário de Allfragide por 40 voluntários, abençoado pelo Superior da casa, P. Manuel Barbosa, saído de Sines a 25 de Janeiro, chegou a Nacala (Moçambique) a 18 de Março de 2013. A ser descarregado dia 19 e 20 de Março, o camião partirá para Lichinga com as 1274 caixas enviadas de Portugal. Prevê-se a chegada do camião a Lichinga no dia 23 ou 24 de Março de 2013. Para já, vamos acompanhando o último troço da viagem ao longe.

terça-feira, 19 de março de 2013

VOLUNTÁRIA DEHONIANA PARTE PARA ALTO MOLÓCUÈ

Acaba de partir às 12h do dia 19 de Março de 2013 para Moçambique a Elsa Henriques Dias, do núcleo da Madeira, para fazer voluntariado dehoniano no Alto Molocuè, primeira missão dehoniana em Moçambique.

Esta técnica de construção civil estará em Moçambique até Dezembro de 2013.


Boa experiência dehoniana como voluntária em Moçambique!

segunda-feira, 18 de março de 2013

VOLUNTÁRIA DEHONIANA EM INVESTIGAÇÕES POR MOÇAMBIQUE

Estamos juntos

É o que sempre me dizem por aqui. “Estamos juntos”. Pela forma como me acolhem por aqui acredito que sim. Há quase um mês cheguei a Moçambique com uma resma de papéis com questões por responder. Depressa percebi que o que imaginava que precisava de perguntar ficava aquém do que me esperava. Tudo é diferente, e tudo é digno de ser registado. Eu pergunto frequentemente: “E então, o que pode ser visitado por aqui?” Pessoas hospitaleiras e rodeadas de ricas paisagens verdejantes respondem-me: “Nada, aqui não há nada. Os turistas estão todos na costa. Já foi à ilha de Moçambique? Isso é que chama os turistas.” Não ter a noção da riqueza que temos é algo que os portugueses partilham com os moçambicanos…


Nampula, a cidade em explosão económica

Em Nampula, a cidade em expansão impõe respeito. A diversidade cultural é uma realidade em fusão, misturando cristãos e muçulmanos, africanos e asiáticos. A sua população local é talvez mais tradicional do que seria de supor numa cidade, facto mais visível na predominância de um vestuário mais tradicional, principalmente no uso de capulanas pelas mulheres. O caminho-de-ferro está no centro da vivência da cidade, concentrando comerciantes à sua volta.

Napipine é um bairro jovem, repleto de escolas, primárias, secundárias, superiores. A biblioteca da companhia missionária é uma minha velha conhecida, e só tenho pena de ainda não a ter visto em funcionamento, já que estive de visita em tempo de férias lectivas. Martina e as meninas acolheram-me bem, tal como o padre Ricardo e o padre Ciscato. As duas semanas passaram num instante….

Alto-Molocué, a primeira missão dos dehonianos em Moçambique

Quem visita este distrito que acolhe o rio Molocué no seu regaço percebe porque os dehonianos começaram aqui a sua missão em Moçambique. Quem caminha pelo mato a caminho de Malua imagina que este foi um bom ponto de partida. Um ocidental consegue sempre encontrar a magia daquele lugar ainda muito natural. Apesar de parecer abandonado, o projecto millenium e os planos da diocese parecem assegurar que Malua não vai ficar parada no tempo.

Já o bairro de Pista Velha é um óptimo ponto de chegada. É um bairro sem nada de muito característico quanto ao tecido urbano de padrão europeu, mas tipicamente moçambicano. O complexo dehoniano destaca-se na paisagem da antiga pista de avionetas, reunindo os jovens em actividades bem diversas do centro juvenil, e acolhendo os viajantes na hospitalidade da casa da comunidade. A simpatia dos três padres e a mão nos preparativos culinários do padre Onorio conquistam qualquer um.

Quelimane, a cidade no pântano

Para quem como eu não aprecia particularmente o ambiente de praia e de litoral, Quelimane é uma boa surpresa. Fora da cidade os arrozais e os coqueiros dominam a paisagem. Dentro dela encontra-se o ambiente mais urbano que eu vi em Moçambique, só ficando atrás de Maputo. Mas eu não conheço a maior parte das capitais de província…

Catarina Pereira