segunda-feira, 18 de março de 2013

VOLUNTÁRIA DEHONIANA EM INVESTIGAÇÕES POR MOÇAMBIQUE

Estamos juntos

É o que sempre me dizem por aqui. “Estamos juntos”. Pela forma como me acolhem por aqui acredito que sim. Há quase um mês cheguei a Moçambique com uma resma de papéis com questões por responder. Depressa percebi que o que imaginava que precisava de perguntar ficava aquém do que me esperava. Tudo é diferente, e tudo é digno de ser registado. Eu pergunto frequentemente: “E então, o que pode ser visitado por aqui?” Pessoas hospitaleiras e rodeadas de ricas paisagens verdejantes respondem-me: “Nada, aqui não há nada. Os turistas estão todos na costa. Já foi à ilha de Moçambique? Isso é que chama os turistas.” Não ter a noção da riqueza que temos é algo que os portugueses partilham com os moçambicanos…


Nampula, a cidade em explosão económica

Em Nampula, a cidade em expansão impõe respeito. A diversidade cultural é uma realidade em fusão, misturando cristãos e muçulmanos, africanos e asiáticos. A sua população local é talvez mais tradicional do que seria de supor numa cidade, facto mais visível na predominância de um vestuário mais tradicional, principalmente no uso de capulanas pelas mulheres. O caminho-de-ferro está no centro da vivência da cidade, concentrando comerciantes à sua volta.

Napipine é um bairro jovem, repleto de escolas, primárias, secundárias, superiores. A biblioteca da companhia missionária é uma minha velha conhecida, e só tenho pena de ainda não a ter visto em funcionamento, já que estive de visita em tempo de férias lectivas. Martina e as meninas acolheram-me bem, tal como o padre Ricardo e o padre Ciscato. As duas semanas passaram num instante….

Alto-Molocué, a primeira missão dos dehonianos em Moçambique

Quem visita este distrito que acolhe o rio Molocué no seu regaço percebe porque os dehonianos começaram aqui a sua missão em Moçambique. Quem caminha pelo mato a caminho de Malua imagina que este foi um bom ponto de partida. Um ocidental consegue sempre encontrar a magia daquele lugar ainda muito natural. Apesar de parecer abandonado, o projecto millenium e os planos da diocese parecem assegurar que Malua não vai ficar parada no tempo.

Já o bairro de Pista Velha é um óptimo ponto de chegada. É um bairro sem nada de muito característico quanto ao tecido urbano de padrão europeu, mas tipicamente moçambicano. O complexo dehoniano destaca-se na paisagem da antiga pista de avionetas, reunindo os jovens em actividades bem diversas do centro juvenil, e acolhendo os viajantes na hospitalidade da casa da comunidade. A simpatia dos três padres e a mão nos preparativos culinários do padre Onorio conquistam qualquer um.

Quelimane, a cidade no pântano

Para quem como eu não aprecia particularmente o ambiente de praia e de litoral, Quelimane é uma boa surpresa. Fora da cidade os arrozais e os coqueiros dominam a paisagem. Dentro dela encontra-se o ambiente mais urbano que eu vi em Moçambique, só ficando atrás de Maputo. Mas eu não conheço a maior parte das capitais de província…

Catarina Pereira

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