terça-feira, 17 de junho de 2014

NOTÍCIAS DE NAMPULA

Caríssimos confrades e amigos
Saudações de Nampula

Depois de grandes azáfamas e correrias por causa da bagagem (os livros são mesmo pesados) e da regularização de alguns documentos (em andamento), cá me encontro de prego a fundo, como irão perceber nesta mensagem.

Tenho recebido mensagens de todo o lado a dizer, porque eu não me despedi das pessoas.
Antes de mais, peço desculpa a todas e a todos, porque eu não sei gerir despedidas. Parto e pronto, já parti. Quero ir para os aeroportos, estações de comboio cedo e fico à espera sozinho, a ler algum livro. Sempre foi assim…

Para deixar os trabalhos que tinha em mãos organizados e encaminhados, andei a mil à hora, descansei pouco e não liguei muito às pessoas…

Por fim, costumo dizer que nem da minha irmã me despedi, vejam lá… Não acreditam? Telefonem-lhe.
Até à última da hora, não acreditava que vinha. Só acreditei mesmo quando aterrei em Maputo e pisei esta terra fascinante e vermelha, que me faz lembrar os voluntários que cada ano vêm cá colher um pouco de experiência deste povo com tradições que davam para escrever uma biblioteca.

Aqueles que me conhecem sabem que a minha paixão foi sempre trabalhar na investigação na teologia pastoral ou em ciências da educação.

Para que não restem dúvidas, se é que as há, após um convite irrecusável da FEC (Faculdade de Educação e Comunicação) de Nampula para ser o coach no Centro de Investigação, conversei e durante um ano amadureci a ideia com as autoridades provinciais (Portugal, Moçambique) e a Universidade.

Tendo o avale positivo, após a ponderação, cá estou eu em Nampula na comunidade de Napipine com o P. Elia Ciscato (o sábio da cultura macua, cujas palavras não ouço, mas bebo-as), que é como um pai para mim. O jovem sacerdote P. Tadeu e o P. Carlos Lobo que acaba de chegar para coordenar a paróquia completam esta comunidade.

A nossa presença em Napipine, para já, circunscreve-se à paróquia que é enorme e tem mais cinco centros de culto a alguns kilómetros daqui.

É evidente que as necessidades são enormes e a seu tempo irei pedir a vossa colaboração.

A minha vida começa às 6horas da manhã com adoração e termina com as Laudes às 6.40h. Às 6.45h tenho que ir a pé cinco minutos para apanhar uma boleia que me leva até à universidade, onde entro às 7.00 da manhã. Às 12 horas com boleia regresso a casa para almoçar e pelas 13.45h volto à universidade, para das 14h às 17h estar ao serviço da investigação.

A eucaristia às 18.15h e as vésperas às 19.15 antecedem o jantar às 19.30h. Após dois dedos de conversa, retiro-me, porque, no dia seguinte, o horário é o mesmo.

É evidente que só esperava que chegasse a sábado para parar e dormir o que não dormi durante a semana.
Este sábado ainda descansei, mas no próximo já tenho atividades durante todo o dia.

A vida aqui tem outro ritmo e as coisas não são vertiginosamente perfeitas. Vão-se aperfeiçoando. Uma chave que hoje abre uma porta, amanhã fica encravada.

Estamos a dormir e cai uma perna da cama. No dia seguinte, arranja-se e a vida continua.
Aqui vive-se a vida.
Há uma vontade enorme de crescer e desenvolver-se.

A expressão de maior promoção cultural é “estou na faculdade”. Mas é que estão mesmo. Quer-se o curso. Estuda-se. Há uma vontade grande, talvez maior que noutros países com as mesmas condições.

Histórias? Sim. Tenho mesmo muitas situações que dariam umas centenas de páginas… mas a organização do trabalho em que estou empenhado impede-me de ter tempo mental para escrever.

Desejo a todos vós continuidade de bom ano e férias para quem puder.

Aqui estamos a acabar o primeiro semestre.

Depois? Logo se verá.

Grande abraço para toda a gente.

Nampula, 14 de junho de 2014

Adérito Gomes Barbosa, scj

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