quarta-feira, 7 de outubro de 2015

E EIS QUE CHEGOU O TÃO AGUARDADO CONTENTOR

O relato da voluntária Sofia, que se encontra em Moçambique desde 28 de Agosto e acompanhou a chegada deste contentor a Nampula:


"E eis que chegou o tão aguardado contentor dos livros depois de uma longa e dispendiosa viagem de Lisboa até Nampula.


Cada um destes caixotes é o resultado de uma cadeia de esforços: dos elementos da ALVD, de voluntários e amigos que se juntaram a esta causa e de todos os que ofereceram livros para Moçambique.


O percurso foi longo... desde a campanha de divulgação, à recolha pelas paróquias, escolas e empregos, à seleção dos livros por áreas/temas, ao empacotamento e ao carregamento de muitas e muitas caixas para o contentor.


Não foi um trabalho fácil mas, para cada voluntário, o esforço valeu a pena e, assim, unindo esforços foi possível levar esta iniciativa a bom porto. O resultado está à vista nas fotos, está à vista em cada caixa, em cada livro.


Agora o trabalho está deste lado do Mundo, em Moçambique.
No dia 28 de Setembro, à noite chegou o contentor à casa dos Padres Dehonianos, em Nampula.
No dia seguinte juntou-se mais que meia dúzia de braços, arregaçou-se as mangas e carregou-se caixas e distribuiram-se em "montanhas" de acordo com os destinos : Nampula, Lichinga, Beira, Quelimane, Guruê, Alto Molocue,...


Depois de combinados os transportes, comecaram a chegar os camiões para levar os livros para os seus destinos.
Foi uma "lufa lufa" de trabalhos e nada poderia atrapalhar, nem mesmo o ramo de uma árvore que impedia as manobras do transporte e que teve que ser cortado.


Em Moçambique, os livros "ainda" são considerados preciosidades, "ainda" se abrem, se lêem, "ainda" ensinam e distraem, “ainda” não foram substituidos por televisões e consolas de jogos, nem por noitadas à frente de um computador.

Aqui, os livros mantém o seu valor, são as mais importantes janelas do conhecimento, motivo pelo qual as bibliotecas se enchem de rostos simpáticos, com mentes curiosas e ávidas de saber.
Por aqui o trabalho só pára quando todos estes livros chegarem ao seu destino - as prateleiras de uma biblioteca moçambicana.



Para que estas bibliotecas sejam "lugares mágicos", onde tudo ganha vida graças à imaginação.
Onde seja possível voar com o Peter Pan, com a "Fada Oriana", de Sophia de Melo Breyner, com as Wings ou na vassoura mágica do Harry Potter. Onde se possa acompanhar a Alice ao País das Mil Maravilhas, folhear Atlas, conhecer as capitais e dar-se a “Volta ao Mundo em 80 dias”. Com os livros, podemos ser um poliglota moçambicano, saber francês como o gato maltês, inglês, italiano e tantas outras língua até ficar de olhos em bico.

Nesta história, o Capuchinho Vermelho ainda percorre a floresta para ir visitar a avó, as crianças ainda se assustam com o lobo mau e sabem muitos dos animais da arca de Noé e os jovens conhecem os "Livros da Anita", da "Patrícia" e procuram os "Diários de Sofia", da Hanna Montana e de outros adolescentes.

Nas mil e uma noites tiram-se das prateleiras os contos de Charles Dickens, vivem-se "As Aventuras" e as histórias dos "Cinco" e do "Clube das Chaves".


Os adultos enamoram-se pelo romance que desperta por entre as páginas dos livros de Nicholas Sparks, Daniel Steall, perdem-se na complexidade de Saramago ou na simplicidade de lengas-lengas e ditados populares, nas crónicas do Gabriel Garcia  Marques, nas histórias de José Luís Peixoto, sentem a sua terra nas palavras de Mia Couto, a espiritualidade em Paulo Coelho e a Pedagogia, em Paulo Freire.

Nestes espaços, os clássicos voltam a ganhar vida, rescussitando do pó Camões,  Fernando Pessoa, Camilo Castelo Branco, Almada Negreiros, Aquilino Ribeiro, Eugénio de Andrade e tantos outros.

Aqui bebe-se das "fontes de saber", por calhamaços pesados das enciclopédias Larrouse e do Círculo de Leitores e ensinam-se todas as áreas possíveis e imaginárias, biologia, geologia, economia, direito, antropologia, história, mecânica, etc etc etc...

Oferecendo livros, estamos assim a dar o nosso contributo para enriquecer pessoas,  para melhor formar profissionais!!!

Mas esperemos que esta "história" não termine por aqui, que continue...
continue em Portugal, numa nova Campanha de Recolha de Livros. Para dar nova vida aos livros e uma vida melhor a quem os lê.
Participem, não custa nada, é só dar livros !!! “

Sofia Jerónimo

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