quarta-feira, 10 de agosto de 2011

2ª Crónica de Lichinga 2011

Salama (=Bom-dia) pessoal


A nossa missão de voluntariado na diocese de Lichinga está a todo o vapor. Disseram-nos e pediram-nos que viéssemos para trabalhar e é isso que estamos a fazer com todo o empenho e entusiasmo.

As “más línguas!”… que dizem que viemos gozar umas férias estão enganados. Aqui trabalha-se de” sol a sol” e só se faz um intervalo para as refeições. Imaginem que o mercado cá do sítio fica muito perto da casa episcopal onde decorre a maior parte da nossa acção de formação e há voluntários que ainda não puseram lá os pés.



O Vítor e o Ricardo já desempacotaram todos os livros que chegaram de Portugal e que agora é preciso catalogar e colocar na biblioteca “ÁfricAmiga”. Eles levam a sua tarefa até ao fim e imaginem que até descobriram naquelas caixas de livros outros objectos tais bonés…

Agora que os livros viram a luz do sol vão ser classificados e colocados nas prateleiras duns armários que hão-de aparecer não se sabe de onde. Mas, está tudo sobre controle e eles, cobertos de pó, sorriem entusiasmados ao saber que todo este seu trabalho que é monótono e repetitivo vai ser de muita utilidade para esta cidade, sobretudo a geração mais jovem de Lichinga.

A Patrícia e a Paula terminaram na 5ª feira a sua formação às educadoras de infância das escolinhas. Foram quatro dias intensivos que começavam às 8.00 horas e iam até à hora do almoço. Da parte de tarde e à noite, depois do jantar, era vê-las a preparar a sessão do dia seguinte. O arranque da manhã (6 horas) só era possível à força do maravilhoso café que existe por estas terras onde é produzido e torrado em casa. Na análise e balanço da semana estava toda a gente feliz:



- as educadoras das escolinhas que agradeceram esta ajuda e apelaram à ALVD que nunca os esquecesse e que estas acções tivessem continuidade;

- as voluntárias Paula e Patrícia que sentindo que deram tudo o que tinham e sabiam ficaram com a certeza que receberam muito mais destas educadoras simples e humildes que as presenteavam sempre com um sorriso aberto e franco e partilharam com elas o que já se fazia no seu campo de trabalho;

- a Irmã Olívia, uma das grandes impulsionadoras destas acções, que vê nestas intervenções dos voluntários a possibilidade de levar mais qualidade ao serviço que é prestado aos mais pequeninos de Lichinga. No último dia, para que o encerramento fosse perfeito a coisa não se fez por menos: além de um diploma que certificava a participação neste curso houve bolo e sumo que a Irmã Olívia providenciou. Como se seguiu a máxima de que “somos todos amigos, mas cada um come “exima = massa de milho” em sua casa…” no fim deste aperitivo houve fotos, muitos beijinhos, troca de mails e outras coisas mais…



A Joana, Gabriela e Milu continuam ansiosas pela sua partida para Mitande o que aconteceu hoje, sábado. Mas elas são mulheres de garra e não deixaram os seus créditos de voluntárias por mãos alheias. Assim, deslocavam-se para o Bairro da Cerâmica todos os dias: da parte da manhã ensinavam português aos “meninos da rua” designação que não foge à realidade pois apareceram muitas crianças e adolescentes que nunca colocam os pés nas escolas e que tem como sua “universidade” a rua; da parte de tarde organizavam jogos e outras actividades que começaram a encher o grande largo que existe em frente à casa das Irmãs Reparadoras de Fátima. Mas a grande atracção era e é sempre a Patrícia com o seu cabelo louro. Por estes lados nem sempre se tem a possibilidade de ver uma loura ao vivo e em carne e osso… Todos lhe queriam tocar dizendo-lhe que tinha um cabelo muito lindo. Consta que ela foi penteada e despenteada vezes sem conta. Loura sofre!...




Quanto às nossas duas “marrupinas” que se encontram em terras de elefantes e macacos sabemos que está tudo bem pelas notícias que não são fáceis de obter devido à falta de rede telefónica. Elefantes ainda não viram nenhum, mas já tiveram um cheirinho a safari e selva com a presença de um macaco, galinhas, cabritos e outros animais selvagens do mesmo porte…

Estão encantadas com a escolinha onde estão a dar formação às educadoras e neste sábado em parceria com a rádio local e a paróquia de Marrupa vão fazer uma acção de informação mais abrangente com a comunidade local, de maneira especial com as “mamãs” da terra. Não fosse o vento daquelas bandas, durante a noite, fazer uns ruídos estranhos para quem vive num apartamento em Lisboa poder-se-ia dizer, por palavras delas, que estavam no paraíso.

O Pe. Zé Manel vinha preparado para promover encontros de reflexão sobre a Bíblia. Aqui mudou tudo do avesso: em vez desses encontros de dinamização bíblica vai sendo pároco na futura paróquia do Imaculado Coração de Maria, situada no Bairro da Cerâmica, e organizando manhãs de reflexão com as várias comunidades religiosas femininas que se encontram já em Lichinga.

Termino por aqui porque hoje o grupo de voluntários que está hospedado na Casa das Irmãs decidiu fazer o almoço. Não sei o que vai sair, mas que nos esforçámos, esforçámos…Kwaheri (=adeus). Dos lichinguenses

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